Alpendre

Dois poemas de Italo Rafael Lima Dourado

Foto: Pixabay

Eu tenho um sopro

Eu tenho um sopro.
Uma fadiga tão alta, é (um) meu mal.
Se eu não fosse teimoso diria
que ele me faz perder as forças.

Meu sopro foi o primeiro ruído que o bebê
ouviu quando veio ao mundo.
No entanto, suponho, que pensem
que o meu sopro é uma doença.

Se eu não fosse teimoso diria
que fui apanhado nos portões do peito.
Ele bate as asas e faz vibrar através
das hastes do auscultador.

Meu sopro foi o primeiro ruído que
espalhou, nos campos, os nenúfares.
Suponho, no entanto, que pensem
ser o meu sopro tal qual doença.

Foi na minha genética familiar.
Sem ter meditado sobre isso,
como era de se esperar, que notei
esse eflúvio sem qualquer manual.

Meu sopro foi o primeiro ruído a despertar
a vontade dos ancestrais de regressar.
No entanto, suponho, que pensem
ser o meu sopro tal qual doença.

Se me leu

Não lhes aconselho.
Não lhes aconselho mas se me leu
se esconda e se recupere.

Presos à minha maneira.
Demoro em matar feito as abelhas.
Depois, é melhor se ocupar vivendo,
acreditando que só existe mesmo um céu.

Não lhes aconselho.
Não lhes aconselho mas se me leu
se esconda e se recupere.

Vou fazê-los sentir, obscuramente,
a minha mente apertando-te os quadris.
Como a uma assombração, que havia algo ali…
Que também serão encurralados um outro dia.

***

.

Italo Rafael Lima Dourado. De Sobral-CE. Autor de “Úmido ou Episódios Dramáticos de Utilidade”, publicado em 2019; e “Outras Horas Úmidas”, publicado em 2022

%d blogueiros gostam disto: