Colaboradores Diogo Mendes

Último banheiro químico

Foto: Pixabay

Por Diogo Mendes – 17/01/2022

Em natureza, um banheiro químico é constrangimento. Quem, nos últimos tempos do Brasil, não vive com essa sensação? Independente de qual lado, o estar comprometido virou regra, durante uma defesa quer briga, embora batalhas civis (podia ser excesso), bastante da população carece do mesmo banheiro, na coletividade. Toalete comum, para inimizades e amizades, para rivalidades e cumplicidades, conviverem e tentarem o uso, de administração por um grupo terceirizado. Diante do eminente definhar da democracia, do recuperar duma pandemia devastadora, da boataria digital ganhando território do noticiário e afins.

Mais uma fila, tipo de minhoca no sol, vai rumo desse único armazém de dejetos. Festeja, a corrupção, conseguindo adiantar, a individualidade que paga o cobiçado início da fileira; ou seja, realizando mantimento das variações do constranger. A sujeira aumenta, sua intensidade, de cheiro forte de todos os fluidos, chega ao povo que espera para usufruir tal benesse, até acha interessante, essas pessoas retiravam partes das vestes, para tentarem uma limpeza do banheiro químico, assim servem. Sem resultado, decepcionam os próprios lados de estimação, acirrados em maior demasia, do que politicagem em si.

Outros componentes da fila, gentes que se encontram nas ruas, vão chegando para utilizar, têm pressas, estimulam agitos, justificam atitudes rudes, por esperanças e sofrimentos. Disparam em suas redes sociais, querem opinião de todo mundo, concordantes ou discordantes, acreditam que os lugares mais próximos do banheiro químico, escondem teorias conspiratórias, algumas podem um dia cair nas graças da criatividade e serem rodadas no audiovisual. A mais compartilhada, entre telas de lá, entre cochichos de cá, relata que a marca fabricante desse derradeiro cubículo, encareceu o posto antes de decretar falência que não teve melhora.

Bíblias de baixo dos braços e crucifixos nos pescoços, outros grupos amarram e conjuram, que a responsabilidade do manejo da cabine, esteja imersa num apocalipse, no qual ultrapassa a impressão dos versículos e capítulos da antologia mais famosa do planeta. Mediante essas ideias, odiar um ou mais das multidões, que comportam seus leques de preconceitos, faz das mentes fanáticas, poderem conspirar não só na questão psicológica, indo para física. Procurando “justiça divina”, termo não alterado dessas religiões, que tornam probatória quaisquer punições interessantes aos cofres das próprias regências, assim precisam de mais posse.

Demais grupos, decidiram materializar indignação naquele industrializante californiano, possuem suas razões, as atitudes que tomam, apoiadas nos próprios argumentos. A fileira cresce, como pulmões que precisam respirar ainda mais oxigênio, outras pessoas chegam, outras pessoas tentam tirar vantagem – ou seja, troca, venda, compra de lugares ali – instaurando negociatas comerciais. Da fila, um antigo/ novo salvador surge, elevado em macheza, as pessoas começam acreditar nele, uma fechadura foi fabricada, ele recebe uma chave, caso queira, para trancar-se dentro do banheiro químico, sua presença comove até dissidentes.

Rostos cobertos de pesares das últimas vagas, onde apuro e fator básico, no geral pouco apresentam distinções. Deveriam ter atendimento prioritário, pelo menos preferencial, hábito que vem ficando cada vez obsoleto, para aquelas pessoas de idade avançada – pior, residentes da fileira das mais diversas fases da vida, acham honroso alguém que aposentou, regressar ao trabalho, mesmo depois de longa contribuição aos equipamentos coletivos. Nossos impostos gracejam, estes que tem fama internacional de serem os mais altos, inclusive não revertem de modo contundente de quem recolhe, assim a enorme fila moveu.

Logo à frente uma discussão começa. COMUNISTA!!!, alguém de gasto terno brigou, com mais alguém de novo boné de time de futebol, teve retorno: FASCISTA!!! Um grupo mais adiante, outro grupo anterior, ambos precisam usar o mesmo cubículo, que estava prestes à capacidade máxima, aquelas vozes incentivavam confronto cara-a-cara. Esquentando, para o início do ataque físico, organizadores da fileira, não deixaram a situação tomar forma, tendo cuidado para não amarrotar aquele terno – enfim, alfaiataria consiste determinante aos setores de segurança.

Carrões passavam. Dos vidros com insulfilm, olhares centravam na fila para o banheiro químico, alguns achavam um absurdo; parcela pequena, e numa crise de consciência, quem ficava confortável nos bancos do passageiro, tentava ajudar transeuntes, nos quais mais simpatizam. Destes veículos de várias cifras, existe que compactuou, agora arrependeu, ajudando parentes das pessoas, por trás dos volantes, estando apuradíssimos, à medida que precisam encontrar um toalete, para continuarem realizando necessidades. Transportes caros e adesivados, de tipos de ataques, cruzavam a fim de verem, alinhamento sofrendo, ou seja vantagens garantidas.

Fileira escorre, aquele salvador de pólvora ainda não saiu do último banheiro químico, já excedia o tempo, pelos uniformes de todo instante. Vaia, confusão, gritaria, desordem, são mesmo barulho, trazendo toda espécie de verdade, do mesmo modo que mentira, uma cobrança faz mandatória, virou fundamental, para organização e segurança. Reprimir, por condecorações, a pessoa infratora, os veículos assistiam, outros buzinavam, outros berravam. Quase no abrir à força – nódulo desse tempo – vaso sanitário, pia, teto, três paredes, porta; precisantes ou exigentes, excrementos, foram, fim?; em uma explosão, pelos ares.

***

.

Diogo Mendes é escritor e jornalista. Atualiza o blog de cultura e arte, Pontofervura. Colabora para mídia brasileira e portuguesa. Tem lançado o livro de poemas, “emboloração”(2020) pela editora Chiado Books.

%d blogueiros gostam disto: