Agenda Cultural Alagoas

Jornalistas alagoanos lançam livro com impressões sobre a pandemia

Imagem: Reprodução / Divulgação

Publicação é uma produção coletiva e reúne impressões e memórias sobre o isolamento social e a pandemia da Covid-19

Com histórias, fotografias, charges e memórias sobre a pandemia da Covid-19 e o isolamento social, será lançado nesta terça-feira (7), às 19h, no Teatro Deodoro, o livro ‘Jornalistas e a Pandemia – Memórias da pandemia em Alagoas’. A publicação será lançada pela editora da Universidade Estadual de Alagoas (Ednueal) e foi organizada pela jornalista Elen Oliveira e o professor Luiz Sávio Almeida, contando com ilustrações e charges do jornalista Ênio Lins.

O livro foi escrito de forma coletiva sobre a vida e trabalho com a chegada do coronavírus em Alagoas, principalmente entre os jornalistas, que normalmente estão entre os primeiros a chegar aos locais onde os fatos acontecem, mas também se recolheram nesse período, distanciando-se fisicamente dos acontecimentos noticiados.

A jornalista Elen Oliveira é uma das organizadoras da publicação e conta como nasceu a ideia do livro. “O professor Sávio tem um blog chamado Campus do Sávio, que costuma publicar artigos de povos indígenas, religiões de matriz africana e movimentos sociais. Nesse período da pandemia, vi que ele passou a publicar relatos de jornalistas sobre esse período. Ao mesmo tempo, vi vários colegas de profissão se posicionando em redes sociais sobre novas formas de trabalho e o impacto da pandemia em suas vidas profissionais e pessoais e foi assim que começamos a pensar em juntar todos esses relatos em uma publicação”, explica.

Segundo Oliveira, um dos critérios que foram usados para escolher os profissionais foi a diversidade de formas de atuação desses jornalistas, sendo, ao todo, 20 jornalistas na publicação: “Temos uma boa mostra de vozes, com pluralidades de pensamentos para enfatizar o que representou a pandemia para cada um deles e como isso impactou em suas vidas e rotinas de trabalho”, afirma.

Sobre os relatos

Os relatos são circunscritos ao período de abril a setembro de 2020 e mostram as pessoas por trás das câmaras, smartphones e blocos de anotação.

Naquele momento, jornalistas também se tornaram parte da notícia, que não excluiu ninguém. Da Praça São Pedro, em Roma, à Avenida Fernandes Lima, em Maceió, espaços públicos vazios dominaram o noticiário mundo afora. Ruas vazias em dia de trabalho, praias desertas em finais de semana ensolarados, circulação controlada, enterros sem cortejo e com velório restrito.

Parte dos jornalistas da linha de frente da produção da notícia, especialmente repórteres, repórteres fotográficos e repórteres cinematográficos, saíam à rua, por dever de ofício, com medo do imponderável. Por meio das redes sociais, passaram a partilhar novas condutas de trabalho, angústia e medo.

Impactos da Covid-19 no jornalismo alagoano

A Covid-19 contaminou colaboradores da obra e feriu de morte o jornalismo alagoano. “O livro é dedicado aos mortos em decorrência da pandemia, entre os quais nomeamos oito jornalistas alagoanos mortos em consequência da Covid-19 até o fechamento da edição, em julho deste ano”, informa Elen Oliveira.

“Da Alemanha, onde vive, a jornalista alagoana Flávia Batista acompanhou a partida de sua mãe, uma das vítimas da covid-19 em Maceió. Quando dona Elba faleceu, os aeroportos estavam fechados a voos internacionais. Não houve despedidas, os funerais foram suspensos. Dias antes, a jornalista Lídia Ramires, que estava em atividade acadêmica na França, foi orientada a embarcar de volta ao Brasil, antes que fosse impedida pelas circunstâncias. São relatos humanos, emocionais, em que os jornalistas falam em primeira pessoa sobre vida, trabalho e temores em meio à pandemia”, comenta jornalista Elen Oliveira.

Já o historiador e um dos organizadores da obra, Sávio Almeida, comenta sobre as abordagens da obra. “O livro reúne apontamentos para uma construção memorial sobre a pandemia do novo coronavírus. Nossa intenção foi construir um imenso painel para um pesquisador no futuro sobre este momento da pandemia em Alagoas”.

Coautores da obra

Entre os coautores da obra há repórteres de web e TV, fotojornalistas, radiojornalistas, gestor público, assessor institucional, consultor, empresário, professores, pesquisadores, editor de esportes, blogueira, produtora de TV. É um recorte expressivo do universo multifuncional dos jornalistas, profissionais fundamentais à construção da memória.

Compõem a obra os jornalistas Aílton Cruz, Álvaro Brandão, Carlos Madeiro, Carol Sanches, Cícero Rogério, Elen Oliveira, Eliana Custódio, Ênio Lins, Felipe Camelo, Flávia Batista, Gal Monteiro, Géssika Costa, Guilherme Lamenha, Itawi Albuquerque, Lídia Ramires, Niviane Rodrigues e Raíssa França, Paula Barreto, Pei Fon, Teresa Cristina e Victor Mélo. Também conta com a participação do presidente do Sindicato dos Jornalistas Profissionais de Alagoas, Azaias Barbosa; e do editor do jornal O Dia, Deraldo Francisco.

Os textos e a iconografia foram publicados inicialmente no blog Campus do Sávio e posteriormente no suplemento Campus, do semanário O Dia. A antologia integra o projeto Memória da Pandemia em Alagoas, coordenado pelo professor Sávio Almeida. Além de jornalistas, ele reuniu memórias e vivências dos povos indígenas, de religiosos de matriz africana e movimentos sociais em outras obras, uma das quais já lançada. “É uma contribuição à história e à memória de Alagoas”, afirma o coordenador do projeto.

SERVIÇO:

Lançamento do livro ‘Jornalistas e a Pandemia – Memórias da pandemia em Alagoas’
Quando: 7/12, terça-feira
Horário: 19h
Onde: Teatro Deodoro. Endereço: Rua Barão de Maceió, s/n – Centro, Maceió-Alagoas.

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