Colaboradores Oldemburgo Neto

Parir um poema, de Oldemburgo Neto

Imagem: Arquivo Pessoal / Oldemburgo Neto

Por Oldemburgo Neto – 18/10/2021

colocá-lo pra fora
expurgá-lo
como forçar vômito
daquilo que era bolo no estômago
suar
respirar
recobrar
e perceber que
assim mesmo
há poema no parto
no expurgo, no desenlace, no (des)amor
e em tudo que há vida
e morte

até morrer de amor
é parir um poema

ou seja

o poema nasce
e morre
porque voa, caminha livre
no limiar que divide morte e vida
sem saber porquê
porque o poema simplesmente
é
& em simplesmente sendo
tomo a liberdade de matar este nesta linha
& nessa aqui, mesmo sem eu querer, ele morre também
mas agora quero que ele viva
habemus parto!
então nesta linha ele nasce
e vem para além de simplesmente ser:
vem como o poema mais incrível que poderia sair de mim
vem como um filho
e se chamará hugo.

***

.

Oldemburgo Neto é jornalista, graduado pela Universidade Federal de Alagoas (Ufal), com passagens por redações de web (Portal G1), jornal impresso (Gazeta de Alagoas) e assessoria de comunicação (Companhia de Saneamento de Alagoas). Também colabora com textos nos coletivos Jornalistas Livres e Mídia Caeté. Músico nas bandas alagoanas Garden e Alma de Borracha. Progressista & alucinado pela arte de viver.

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