Alpendre poesia

Dois poemas de Luís Augusto Guedes

Imagem: Free-Photos // Pixabay

DE JOELHOS

na beira da cama
antônio segura
o terço
tem apenas
quatro anos
já pede pela
paz no mundo.

Troca os versos
come as
palavras
mal sabe o mundo
que essa criança
o segura
que ela
o protege.

Quando crescer
ele vai rezar certo
palavra
por
palavra
como quem
põe talheres na mesa.

Nesse dia
como em qualquer outro
vamos ouvir os disparos
dos tanques
da terceira guerra.

SEM TÍTULO

na encolha
calvário líquido
empapado

na encolha
diálogos da
mouquidão

na encolha
todo interno
trespassar

na encolha
um jogo
perigoso

na encolha
desvio de
função

na encolha
o contrabando
sagrado

***

.

Luís Guedes (Rio de Janeiro, 1992). Roteirista, poeta e pesquisador, é graduado em Cinema na UFF e atualmente cursa Direção Teatral na UFRJ. Sua produção gira em torno de infância, memória, o lúdico, mitologias familiares e a magia enquanto processo de linguagem. Foi publicado na revista Mallarmargens e nas antologias: Ruínas e Não mais os falsos infinitos, ambas da Editora Patuá.

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