Alpendre poesia

Três poemas de Julia de Campos Preto

Foto: Алекке Блажин / Pexels

Sem Onde(s), Horas e Porquês

Nobre, formoso na alma que me dera buquês,
Conquanto de um reino inteiro fora patente;
Mas me enamorei, Fernando, sem precedente,
Pelo amor cortês e galego português.

Circundaste a terra, foras mais que burguês,
Tu desbravaste, nauta, meu mar, imprudente!
A cima disso foras humano, candente,
Amaras minhas ressacas e meus por quês.

Não o bastante, foras imperador romano;
Tu empunhas um léxico que, ínvia, não declamo,
Mas Alamo, o meu decifraras, “espartano”.

Meu poeta de facetas, amparo clamo,
Pela incompletude do meu verso troiano
E digo na mais complexa poesia, eu te amo.

*

A guerra das duas Rosas

Tu almejavas um nobre poema
E como é princesa, devo-a escutar,
Donzela que desconhece o valsar,
Explicar-te-ei tamanho o dilema.

Comecemos com a questão extrema:
Não sabes amar, somente aviltar;
Que visa a verdade boicotar,
Tanto sabes que adultério é blasfema.

Te digo, se afrontas uma outra Rosa
Não lamentes seu findar de tristeza,
Já que irritas uma lei rancorosa.

Queres cantigas de amor e proeza,
Dar-te-ei um dilema, vista tua altiveza:
Ainda tu te vês da realeza?

*

À ferro e ferida

Tu, meu caro, desconta na bebida,
E eu de arrojo sou desgarrada
Pois de lágrimas sujo tua bancada,
Triste e gasta no carrossel da vida.

Muito mais de arrojo sou acompanhada,
Afirmo austera, ausente em bebida;
Vivo destilada, à ferro e ferida
E como a Justiça, injustiçada.

Justiça, arauto do que a si não cabe,
Lamurio-lhe do mundo a parca lisura
E a dor da algema que enclausura.

Oro-te antes que essa sentença acabe,
Os demais nunca saibam a verdade
E eu não beba a taça da Liberdade.

***

.

Julia de Campos Preto nasceu na cidade de São José do Rio Preto, interior de São Paulo, em 2003. É estudante e participou da antologia poética “Escrevivência: a negritude em evidência”, “Diário da Quarentena”, a ser publicado pela editora Expressividade, e Eclipse Vital (volume 2), pela Antologias Conectatum. Além disso, é uma das ganhadoras do prêmio Sou mulher poesia, concedido pela Academia Mulheres das Letras.

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