Colaboradores Stéfany Caldas

Tipos Indisponíveis no Amor: você costuma se interessar por eles?

Foto: Karyme França / Pexels

Por Stéfany Caldas – 03/08/2021

Pessoas indisponíveis para relacionamentos. Você já se apaixonou por alguma, ou conhece alguém assim? Estamos falando dos tipos considerados “difíceis” de se envolver, aqueles que, apesar de se mostrarem interessados em se relacionar com o outro, raramente se abrem para uma troca mais profunda, evitando qualquer simbolismo que denote compromisso ou solidez.

É bem possível que algumas pessoas se percebam repetindo relações com indivíduos que desaparecem e ressurgem de tempos em tempos, e sintam-se confusas com esse comportamento. Elas justificam o padrão de predileção por esse tipo com o que chamam de “dedo podre” para parceiros amorosos.

Mas, afinal, o que está por trás da constante atração por perfis indisponíveis? É possível identificar esse padrão e modificá-lo, a fim de que as pessoas consigam vivenciar relações saudáveis?

Para refletir sobre o assunto, convidamos a Doutora em Psicologia Clínica e Cultura pela UnB, Mariana Del Monte. Mariana tem especialização em Terapia Sistêmica Conjugal e Familiar, é mestre em Psicologia Clínica e autora do livro ‘Geração Canguru, Ninho Cheio: O filho adulto morando na casa dos pais’.

A APRENDIZAGEM SOBRE RELACIONAMENTOS

Para entender o que leva algumas pessoas a se interessarem por parceiros que apresentam indisponibilidade de envolvimento emocional, é necessário analisar o tipo de afeto recebido dentro de casa. É isso mesmo! A infância e a adolescência são importantes pontos a serem levados em consideração:

“É comprovado pela psicologia e também pela neurociência sobre o quanto as experiências familiares impactam na forma com que iremos viver a vida adulta como um todo. A aprendizagem sobre relacionamentos e sobre o amor mais ainda. As relações amorosas são uma reprodução daquilo que a gente viveu na nossa história familiar”, reflete a doutora.

É através da forma de amor desenvolvida no ambiente familiar que os indivíduos compreendem, desde cedo, a dinâmica dos afetos. “Se eu tive um pai ou uma mãe que sabiam me amar através de cobranças, ou se eu era valorizada por aquilo que eu conquistava, eu passo a compreender que eu só sou amada quando eu faço algo de bom e não por quem eu sou, o que pode criar uma espécie de amor condicionado, em que eu entendo que só vou ser amada se eu realizar algo de bom ou fizer algo pelo meu companheiro ou companheira”.

Esse condicionamento pode influenciar inclusive na autoestima do indivíduo: “Eu impeço a minha autenticidade de vir à tona, muitas vezes eu nem conheci a minha autenticidade, porque eu estive muito focada no desempenhar e nos resultados, me afastei da minha essência, e não levo isso para uma relação, isso faz com que me torne uma pessoa menos interessante para mim mesma, e aí a gente está falando de autoestima, e também para o outro”.

Feridas emocionais também podem ser geradas a partir de situações de abandono. “Em um histórico familiar de abandono de um pai por uma mãe, de uma mãe por um pai, ou de um pai ou de uma mãe pelos seus filhos, é possível criar a ideia de que o amor está associado ao abandono, então, desenvolvo uma ferida emocional. Reproduzo contextos na minha relação amorosa que se tornam férteis para abandonar ou ser abandonada, e isso ocorre de formas mais subliminares e inconscientes possíveis, pois a crença está misturada na forma com que a pessoa funciona e ela não percebe que está projetando essas feridas na relação”.

A NEUROCIÊNCIA EXPLICA

Além das feridas emocionais, outra explicação possível para a busca, ainda que inconsciente, dos mesmos padrões de relacionamentos amorosos também pode vir da Neurociência. Del Monte aponta a tendência que o cérebro possui de funcionar no modo econômico. “A gente está sempre buscando o que é familiar para poupar energia para o nosso cérebro. Essas duas possibilidades, de feridas emocionais e de padrão cerebral, podem nos levar a repetir padrões na vida adulta que não são saudáveis e que nos afastam daquilo que queremos viver”.

O AUTOCONHECIMENTO É A CHAVE

Se você está se perguntando como identificar e como mudar esse padrão, a boa notícia é que é perfeitamente possível compreendê-lo e intencionalmente sair dele. “A gente só pode controlar aquilo que a gente conhece, assim, as principais estratégias são buscar autoconhecimento, me engajar nesse processo que vai resultar numa mudança sobre a forma como eu penso e sinto a vida, na forma como eu me comporto, mexer nas minhas crenças, além da psicoterapia, que é uma estratégia excelente para trabalhar com tudo isso”.

Dessa forma, o ideal é investir em conhecer a si mesmo: “Tudo o que gere autoconhecimento é importante para que a pessoa se perceba, se flagre dentro daquilo que faz ela fazer escolhas ruins. Psicoterapia, ler livros, fazer cursos. É claro que tem a parte do outro, mas a parte do outro a gente não pode controlar, nós podemos controlar a nós mesmos, dentro daquilo que a gente conhece, por isso que o autoconhecimento é a melhor estratégia”.

***

.

Stéfany Caldas é formada em Jornalismo pela Universidade Federal de Alagoas (UFAL) e Especialista em Assessoria de Comunicação e Marketing pelo Cesmac. É alagoana, feminista e cheia de interesse por esportes, natureza, música e gente!

%d blogueiros gostam disto: