Alpendre poesia

Três poemas de Genilson Oliveira

Foto: Elizaveta Dushechkina / Pexels

Seus olhos me despem
um Lorde dos lençóis
suas mãos esmagando
um corpo contra o colchão
em seu estado mais duro.
Ame seu senhor
cavalgue no espirito possuidor
cuspa a semente do mal.
Absoluto e imponente
se derrame em mim.
A cadência dos movimentos
o líquido sa(n)gra(n)do
regozije em mim.
eu imploro
poder absoluto.

– fetiche.

*

Michelangelo te esculpiu só para mim
para que meus dedos corressem entre suas cavidades
e entrassem em você
para que meus lábios pressionassem os teus
para que minha boca sentisse o teu sabor
para que o mármore que queima no inferno
queimasse dentro de mim
sufocado por suas mãos firmes em meu pescoço
quero continuar, sem ar
a cadência do ritmo que não provoca mais dor
lapida-me como a matéria prima da tua arte
me transforma na carne da tua Vênus.

*

Devagar, seus passos na minha frente
com pressa quando beija
aquele cara que não espera as luzes apagarem
para dizer tudo
eu sei que Londres é um sonho logo ali
ter medo não é desculpa
quando se é um rei
de um pequeno planeta distante.
Trouxe chaves para você
destranque e deixe sair
sua paixão é como o Tâmisa
é um pouco demais para prender
se viaja entre planetas, pode andar em mim.

– London By

*

Os poemas fazem parte do e-book TITÂNIO – micropoemas (2020). Link: http://secjel.sobral.ce.gov.br/lei-aldir-blanc-sobral

***

.

Genilson Oliveira é cearense, sagitariano e tímido. Estuda Filosofia na Universidade Estadual Vale do Acaraú – UVA. Não sabe quando começou a escrever poemas, mas em 2013 deixou que outras pessoas conhecessem suas histórias. A forma de Rupi Kaur narrar muito o inspira na forma de lidar com as emoções no papel. Publica poemas no wattpad desde 2017. Em 2020 publicou seu primeiro e-book, TITÂNIO, pela Lei Aldir Blanc de Sobral – Ceará.

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