Alpendre poesia

Três poemas de Hilton Nogueira

Foto: marco allasio / Pexels

Proteção

Ao sair de casa, a benção de minha mãe é a minha proteção.
Angústia, medo ao saber que sai e talvez não posso mais voltar.
Sabemos a triste realidade de um preto em nossa sociedade.
Somos alvos constante de tanta criminalidade por levar os nossos traços fortes dos ancestrais.
Em toda minha caminhada peço benção para todos meus protetores desviar de todo mal.
A alegria de minha mãe é ver se filho chegando em casa e ter mais um dia vencido.

Roda

A roda com sintonia perfeita.
A roda com muito amor e axé.
A roda com os santos protetores.
A roda com os movimentos pra saudar os ancestrais.
A roda com tantas roupas bonitas e muitos acessórios.
A roda com resistência de um povo marginalizado.

Dores

Falar de racismo é relembrar de muitas dores.
De um tempo na qual ainda se há muitas cicatrizes.
Trás em memória a dor e sofrimento do meu povo.
O cansaço de sempre explicar o mesmo assunto para quem foi culpado de tal ato.
Mostrar a nossa realidade que não é “mimi”.
“Mimi” é viver em uma bolha de privilégio e não reconhecer.
Agora fiquem ligados pois quando for se tratar de tal assunto, as minhas palavras vão ecoar e gritar tudo aquilo que guardamos durante toda opressão.

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Poeta Marginal, baiano de Ilhéus, Hilton Nogueira começou sua paixão por poesias desde o Ensino Médio com o incentivo da sua professora para participar no Projeto Tempos de Arte Literária (TAL), na qual venceu o concurso em primeiro lugar e dali não parou mais de escrever. Já participou de algumas antologias e eventos literários regionais e nacionais. Foi vencedor do “Prêmio Resistência 2021”. Através de sua escrita em forma de arte, traz tanto suas vivências, bem como a dos negros e a representatividade do povo preto, usando da mesma para fazer suas críticas sociais.

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