Alpendre poesia

Três poemas de Isadora Luchini

Foto: Mariana Montrazi / Pexels

Eco

essas pedras que caem do ouvido
depois do mergulho,
a maré não deixa esquecer
os fósseis do nosso diálogo.

Indivíduo

poesia que fala só com quem faz
é um espelho que não coloco na parede de casa.
quero vocês que espiam minhas investidas pela janela
e enfiam o dedo na fechadura da minha porta
e me procuram sem limpar os pés no tapete.
quero os invasores colaborativos
contra a propriedade privada construída pelo reflexo.

O engasgo

Uma vida decidida pelos pés e pelas mãos descoordenadas,
um que quer ir e o outro que precisa segurar.
Desejo e dever estendendo um corpo a dois limites intangíveis.
Trupicão seguido de grito enunciando a epopeia de uma garota no século vinte e um sentada em um carro sem portas, sem rodas, sem janelas, sem para choque.
e o para brisa limpando
a partida seguida de morte.

***

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Isadora Luchini é atriz formada pelo Teatro Escola Macunaíma e graduanda de Artes Cênicas pela UNESP. Dedica-se a pesquisar teatro, poesia e produção cultural, além da intersecção de linguagens artísticas.

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