Coluna Romero Venâncio

Cloroquina, vacina, propina. A coisa é precisa ou isto é só o começo

Imagem: Ivana Divišová / Pixabay

Por Romero Venâncio – 09/07/2021

Primeiro. A coisa é aparentemente grandiosa em seu aparentemente absurdo. Desde o começo a loucura pela cloroquina não parecia fazer sentido racional. Era negacionismo demais. Que a “massa bolsonarista” com suas camisas da CBF entrassem nessa, era previsível. Afinal, esse “negacionismo” sempre foi cortina de fumaça. Como o é “ideologia de gênero” e todo o pacote da hipocrisia cristã desse bolsonarismo e apaniguados.

Desde que foi divulgado o documentário sobre a cloroquina e suas origens no canal do jornalista Bob Fernandes, foi aparecendo a explicação real: é grana. Esquema empresarial que envolvia a família Bolsonaro e seus aliados. Essa divulgação em forma de propaganda exagerada contra toda evidência científica era para desconfiar desde o começo. Paciência. Passou. Mas agora está explicado a aparente loucura fundamentalista. É dinheiro e em grandes volumes.

Segundo. Veio com mais força. Vacina/corrupção/propina. Cada vez mais transparente para quem quiser ver. Mais uma vez: grana volumosa e um esquema preparado bem antes. Caso pensado e bem elaborado e liderado por um desses que adora andar de Bíblia na mão e se dizer cristão: Ricardo Barros. Famoso desde o governo Temer. Inimigo do SUS e metido a liberal de fachada.

Esse falso debate sobre vacina sempre mereceu desconfiança. Mais uma vez: contra todas as evidências científicas, não se licitava e comprava vacinas. Vinha a história de ser da China ou da Rússia… E sempre a mesma desculpa supostamente “negacionista”. Nada disto. O negócio é negócio. Quando os irmãos Miranda abriram essa “caixa de pandora” e descreveram o esquema, o desespero dos senadores bolsonaristas na CPI da covid no senado quando da presença dos irmãos Miranda, foi notória e constrangedora. Ali, já deveríamos saber que tinha coisa e coisa grave como todo esquema histórico de corrupção nesse Brasil. Propina sobre milhões de vacinas que envolvem bilhões, nem precisa fazer muita conta.

Sabemos onde chegaria e quem ganharia. O Luiz Maklouf Carvalho no seu clássico: “O cadete e capitão: a vida de Jair Bolsonaro no quartel” nos avisou com farta documentação: o negócio de Bolsonaro é dinheiro venha de onde vier e virou coisa de família e quando se juntam com esse “centrão”, a coisa ganha ares de profissional…

Esse esquema de corrupção de vacinas tem algo de muito grave e cruel que talvez (talvez) não tenha comparação em outros esquemas de corrupção na história política desse Brasil: ao tardarem a comprar e aplicar as vacinas na população em geral, custou milhares de vidas que não morreriam se tivesse licitamente e em tempo, comprado as vacinas. O signo do bolsonarismo é a morte em tudo. Entendamos. E estamos apenas no começo.

As manifestações de rua com o “fora Bolsonaro” e a CPI do senado ganham conotação de necessidade nessa quadra histórica. O momento é muito grave para todos os lados. Atentemos.

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As opiniões expressas pelos colaboradores e colunistas não representam, necessariamente, a opinião do Arribação.

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Romero Venâncio é Doutor em Filosofia e Professor no Departamento de Filosofia na Universidade Federal de Sergipe – UFS.

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