Alpendre poesia

Três poemas de J.P Schwenck

Imagem: O Gabinete do Dr. Caligari (1920), dirigido por Robert Wiene. / Reprodução

Frenesi Simbolista

Brasil!
Amada pátria
Gentil mãe
És solo destes filhos
Amada pátria
Brasil tu és mil
Outras entre adorada terra

Morte própria a adora
Quem teme nem luta, foge
Não, teu filho, um que verás
Forte clava, a justiça ergues, mas… passado.

Glória e futuro
Paz, flâmula verde o diga estrelado
Ostentas lábaro, símbolo seja eterno amor, Brasil

Salve! Salve!
Idolatrada, amada pátria ó…

Amores mais, seio, vida nossa vida.
Mais têm bosques, flores, campos lindos, risonhos
Garrida terra do mundo novo
Do sol iluminado, América, florão, Brasil, fulguras, profundo céu, luz e mar do som esplêndido.

Berço, eternamente deitado, Brasil!
Amada pátria gentil, mãe, és solo, filhos…
Amada pátria, Brasil, tu és mil outras entre adorada terra.

Grandeza espelha futuro
E colosso impávido, forte és, belo és
Natureza própria, gigante resplandesce imagem
Límpido e risonho, céu formoso
Se desce terra, esperança e amor vívido.

Raio, intenso sonho, Brasil.
Salve! Salve!
Idolatrada, amada, pátria, morte. Própria.
Peito nosso desafia liberdade.
Ó seio, teu forte braço, conquistar, conseguimos igualdade.
Instante pátria, céu brilhou fúlgidos raios.
Liberdade, sol, retumbante brado, o heróico povo de plácidas margens.

Ipiranga.
Ouviram?

*

Cidade Dorme

Cidade dorme feito gente
Na rua do infinito
Na beira dos trapos
Calçada dos indigentes
Paisagem dos mortos
Procissão dos restos.

Ilumina-se o condomínio de ratos
Jaula dos bichos humanos
Roendo a cidade
Até que não haja mais noite.

Cidade insone
Perdida nos trapos
Mundo indigente
Jaula do infinito.

Solene, o padecer dos nativos
Infame, a fama dos enguiços
Máscaras rasgadas nas poças
Plástico e sede humana.

Enchendo os olhos e os ocos
Os anjos e os antros
Nenhuma mosca pousando
Nos carroséis profanos, covis humanos.

Terra-gotham dos neandertais eletrônicos
Dos selvagens catatônicos.

Insone lixo beirando as praças
Homem bicho lambendo as patas
Banhando se na rua
Espreguiçando e correndo
Com o sangue na garganta
Lhe mantendo hidratado.

Estalando o corpo
Subindo no elevador
Fazendo contas.

Retalhando o dia
Caindo do barranco
Repousando em seu ciclo.

Bicho homem derretendo de cansaço
Abrindo a janela
Filtrando todo carbono da atmosfera
Para que repouse selvagem
Na eternidade.

E dorme a cidade.

*

Expressionismo Alemão

A cadência dos clarões fantasmas
Os monstros geométricos
A quimera gigante no céu
Árvores em negativo fosforescente
Um pedaço de sorriso morto uivando no mar.

O trem fantasma só de ida sem nem mais voltar
O sugador de almas com fome
O canibal demoníaco poliquântico
O terror sanguinário de barba e dentes

E os pedaços do espelho que espalharam-se no chão ao atravessar
E as paredes que te fecham pra te esmagar
E o seu corpo que te prende e tenta te devorar
Até desmaterializar
Prendendo o limite das coisas que trancamos pra não mais lembrar.

***

.

J.P Schwenck é um artista multimídia carioca. Participante de 6 antologias literárias e autor de dois livros digitais de poemas (“Opus” e “Wave”), sua missão é expor a sua visão do mundo que lhe absorve e transpor sua liberdade artística em formas plurais.

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