Alpendre poesia

Três poemas de Luiz Reis

Foto: Paweł L. / Pexels

luz de led
lisa de cor
lúgubre
lentamente esvai
no frio que nos cerca
alvor de gelo luminoso
flor do campo congelada
sob a qual
estáticas estátuas
brincam de existir

*

carne de pescoço
quase osso
que escalda
panela de pressão
ebule rebola
dissolve trafega
trazendo à tona
caldo da tensão
transborda

entorna dimensão
transtorna dissenção
cataclisma obsessão

nó na circulação
entrave no braço
falta de respiração
carne de pescoço
talhada na cachaça
revira e traça

carne de pescoço
cataclisma obsessão
trazendo à tona
estado de choque
pulso impulso conexão

*

vislumbrar a pedra no mundo
visualizar a pedra no pé
que pisa assim a terra
na sua constituição
primordial
táctil – a pedra conversa por rumores
ancestrais filamentos da linguagem
pulsar
do murmúrio mais fundo
do luzir profundo
da luz escura da aurora dos tempos

a pedra causa sensação
impera sua dureza
impõe sua natureza
ser em constituição unívoca
em sua inteireza nos impressiona
seres flácidos que somos
seres móveis e dúcteis
seres instáveis inúteis
orbitamos frágeis
na atmosfera derretida
a impelir nossos impulsos feios

***

.

Luiz Reis é Bacharel em Filosofia e Mestre e Doutor em Literatura pela UnB, e Pós Doutor em Literatura pela UNESP. Atua como editor e curador na Editora Nautilus do Distrito Federal desde 2012. Publicando e selecionando autores e artistas visais para as publicações da editora. Atua como curador de Artes Visuais na Galeria Parede de Casa uma galeria de artes visuais online criada em 2020. Atua como curador e pesquisador em Projetos do FAC DF como a pesquisa sobre os contistas do DF e a pesquisa sobre a poesia no DF. É artista visual autodidata. Participou de exposições coletivas e eventos culturais em todo o DF. Já elaborou capas e ilustrações para diversas publicações nacionais. Em 2020 fez sua primeira exposição individual na Galeria Parede de Casa do DF. Como poeta já publicou cinco livros de poemas e nas principais revistas literárias nacionais.

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