Alpendre poesia

Três poemas de Jamerson Soares

Foto: Bokskapet / Pixabay

O que há durante a simbiose de corpos

céu de águas na língua
farpas de um outro corpo
a simbiose entre os corpos:

o amor que salta do vigésimo andar de um prédio

*

Para não morrer todas as noites: a metamorfose

aprendi a peneirar a angústia / o assombro/ a intimação da
morte / todas as paixões possíveis provocadas pelo ódio /
habito agora no céu no inferno no limbo de minhas feridas /
obliterações internas / que cicatrizam divinamente com o
apagar de relógios / feito corpo glorioso / trânsito
incompreendido cotidiano essa metamorfose amanhecida /
constante mutação do Eu / em outros / que são um / subjetivo
e sangrando em lágrimas / Eu / descubro a pele que me faz
imperfeito carne & ruína / para depois amanhecer nestes
voos de libélulas

*

Ponta verde

braçadas de água
um ronco de um corpo-Outro
monstro correnteza escopo

a placenta imaculada
asas de harpias

manhã
luz
boca seca

banho que arranha a garganta

os pés na magia
no sal da Ponta Verde
fantasmas que correm na linha do mar

lençóis de água & canto
sobre os poros humanos quase aos
sobressaltos.

((((um ritual netuniano ecoando nos ouvidos))))

*

Os poemas fazem parte de seu futuro livro de estreia, intitulado ‘Marítimas’.

***

.

Jamerson dos Santos Farias Soares, 24 anos, ator formado em Artes Dramáticas na Escola Técnica de Artes da Universidade Federal de Alagoas (Ufal), poeta aprendiz, jornalista, nasceu e ainda mora em Maceió, Alagoas. É ator e assessor de imprensa das companhias teatrais Claricena e Teatro da Poesia. Já trabalhou como repórter fotográfico no jornal O Dia Alagoas, e como repórter no portal G1 Alagoas. Atua na área da comunicação comunitária nas regiões em vulnerabilidade social do estado no projeto de extensão Universidade Popular, por meio do Bureau de Comunicação Comunitária. Participou de oficinas de escrita criativa no Sesc Alagoas, e de coletâneas de poemas alagoanos e nacionais.

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