Alpendre poesia

Três poemas de Andreza Andrade

Foto: Zeeshaan Shabbir / Pexels

A morte apodrece as ruas de flores.
No primeiro buraco das coisas esquecidas,
Lá onde as memórias mais queridas se apiedam de ti.
A morte, a morte, as mortes,
São tantas que a se acotovelam no céu e no inferno,
E Deus e o diabo já não brigam mais.

*

Se eu não cantar sufoco.
Tudo que eu grito e toco,
Deve conter.

Escute aí esse querer,
No teu peito salta,
Se não segurar explode e logo apaga,
Pega essa razão e bebe até a alma,
Cuido que é de enlouquecer.

*

Poema noturno

Noite escusa,
Mãe do escondido,
Subverte o dia,
Vendo a hora passar a corrido
Traz uma luz que seja, para que eu veja
Onde anda o esquecido,
Porque a lembrança se esconde nas horas de adentro,
Quando o silêncio faz barulho na alma dos não dormidos.

Noite alta,
Mãe dos entorpecidos,
Dá-me algo pra dormir,
Que seja uma dose, um comprimido,
Que eu quero ir pra quando não pensar era preciso,
Sorrindo condizente,
Assentindo.

***

.

Andreza Andrade é paulista, escreve desde a infância, faz trilha e acampa. Também é Mestre em Literatura pela UNESP, especialista em tradução. Pedagoga, é também gestora educacional e atualmente cursa Pós-graduação em Educação e Direitos Humanos pela UFABC. Seu primeiro livro de poesias sairá ainda em 2021 pela editora Libertinagem.

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