Colaboradores Stéfany Caldas

Espiritualidade Crítica: O que é?

Foto: Reprodução / Edição Stéfany Caldas

Por Stéfany Caldas – 01/06/2021

Independente de seguir crenças ou práticas religiosas, todo ser humano tem a possibilidade de desenvolver uma conexão espiritual se assim desejar.

O conceito de espiritualidade da Organização Mundial de Saúde (OMS), define que o termo se refere ao “conjunto de todas as emoções e convicções de natureza não material que pressupõem que há mais no viver do que pode ser percebido ou plenamente compreendido, remetendo o indivíduo a questões como o significado e o sentido da vida, não necessariamente a partir de uma crença ou prática religiosa”.

Essa conexão espiritual, que não é sinônimo de religiosidade, já que não vem necessariamente atrelada a uma doutrina, não raro tem sido distorcida ao ponto de as pessoas seguirem preceitos parecidos com aqueles que estabelecem uma “positividade tóxica”.

Ou seja, há aqueles que acreditam que existe uma separação da realidade vivenciada no mundo físico, de modo que dialogar sobre questões difíceis traria uma energia não favorável à positividade que se deseja alcançar ao entrar em contato com a esfera espiritual.

ESPIRITUALIDADE CRÍTICA

Para refletir sobre o termo, estudiosos lançaram a expressão “espiritualidade crítica” e buscam chamar a atenção para o papel da espiritualidade em nossa conduta ética e social.

Em seu perfil numa rede social, a educadora Julia Cazuny discute sobre o tema: “a sua cura e a sua busca espiritual são válidas e importantes, mas se elas te cegam à realidade social elas deixam de ser”.

Essa mesma reflexão é exemplificada por Cazuny ao falar sobre como busca-se respostas do plano divino para questões em que há negligência humana, como é o caso da pandemia: “Não é um karma coletivo (…), o sistema socioeconômico aplicado no Brasil é construído na desigualdade”.

Quando alguém se vai, rapidamente popularizam-se expressões nas redes sociais como “a vida é um sopro”, “ame mais”, como uma tentativa de creditar ao plano espiritual algo que é fruto de falta de planejamento adequado, de aquisição de vacinas, e, nem sempre tem a ver com escassez de sentimentos.

Chloe Malkine, criadora de conteúdo digital sobre espiritualidade, também discutiu sobre o que chama de “armadilhas disfarçadas de discurso espiritual”, e pede aos leitores que foquem em conteúdo que os estimulem a serem pessoas melhores hoje, lembrando sempre que espiritualidade não aprisiona, mas, liberta.

Com isso, o desejo é que possamos compreender que não existe uma espiritualidade que nos leva para longe do cotidiano, pois é no exercício de viver, no dia a dia, e no nosso agir, que estamos diariamente construindo o espaço, as ideias e as relações que vivenciaremos. Precisamos nos enxergar corresponsáveis, coautores em sermos instrumentos de melhoria, em diferentes estágios de evolução.

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Stéfany Caldas é formada em Jornalismo pela Universidade Federal de Alagoas (UFAL) e Especialista em Assessoria de Comunicação e Marketing pelo Cesmac. É alagoana, feminista e cheia de interesse por esportes, natureza, música e gente!

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