Foto: Oleg Magni / Pexels

Por Diogo Mendes – 31/05/2021

< Pode? > Pode. < Pode mesmo? > Cê pode, claro. < Não está dizendo isso, para eu poder depois sentir bocó. > Podíamos mais. < Podíamos? > Claro que podemos. < Opa, se pode. > Vai deixar eu poder mesmo? < Quanta dúvida, pode essa. > Podemos, tá osso, pensar. < Então pôde, quer dizer podemos, sem migué. > Aqui não é pôde. < Pode? > Pôde, isso melhora. < Necessariamente podemos? > Se pode mais do que esse barulho. < Não acho que pode ser barulho, mas som. > Também pode ser um canto, assim, preso. < Todo pássaro em uma gaiola está preso, não podia, a vizinhança pirraça. > Bom a humanidade achar que pode prender, né? < Quem pode primeiro, quem perguntou foi eu. > Bem que pode,.. ser. < Pode? > Melhor do que pudestes. < Não vêm podendo mudar de assunto assim. > Como não pode? < Nem poderíamos ser rudes. > Nem, suave, se pode. < Podendo, no “pudestes”, não é? > “Pudestes” é ultrapassado, e fazer feio quase ninguém quer. < Poderíamos tirar algumas exceções. > Pudera, quer dizer, zuadaças regras. < Ninguém pode ter paz. > Como se pode ter acordo? < Já pode olhar a sua volta. > Bem podia ser diferente. < Por toda a volta pode notar. > Pode perceber mesmo. < Esse papo podia ficar pra depois. > Iguais aquelas sujeiras debaixo do tapete, que ninguém pode, mas podendo, poderia conviver. < Os tapetes andam cheios de sujeira, desenvolvendo um formato que nem se pode passar, uma jaguara montanha de sujeira. > Pode dizer serra de sujeira também. < Desagradável, que nem pode ser da natureza. > Do mais artificial que se poderia ser. < E como pode. > Artificial pode produzir muita dessa sujeira. < Sujeira que poderia ser da pior espécie. > Sim, posso concordar. < É, poderemos suportar. > Imagina poder passar, se fosse um caminho. < No país têm muitos caminhos que nem se podem atravessar. > Pode por sujeira? < Pode por jaguara montanha de sujeira mesmo. > O caminho pode ficar todo bloqueado para passagem. < Nem passar, muito menos pode pisar. > Não se pode sair pisando. < Pisando nos outros, não pode. > Posso concordar. < Muito menos, podendo se sujar com a sujeira alheia. > Vai saber como essas pessoas poderiam gerar essa sujeira toda. < Certo, posso dizer que sujeira é o que mais se tem por aí. > Esse papo podia ser mais fútil. < Sim, podíamos voltar para futilidades. > Fica meio difícil com você ainda, não podendo, tirar os olhos do celular. < Hoje, fiz fiasco, quem pode tirar os olhos disso (apontava para o aparelho móvel). > Eu queria poder governar minha relação com celular também. < Poderemos um dia. > Outra coisa que gosto de você, manja, só pode ser, otimismo. < Bem pode, igualmente seu corpo. > Ainda não entendi esse “pode” do meu corpo. < Beleza de cara e corpo, pode ser uma raridade. > Devo de puder concordar contigo. < Posso dizer que achei a gente a vontade desde nossas primeiras mensagens. > Sim, pode ser. < Será que poderia ser depois? > Está comentando do que poderia me dizer. < Acho que podia ficar para outra vez. > Só posso agora (levantando as sobrancelhas). < Do que podíamos exatamente? Opa, está ao nosso redor? > Pode deixar isso pra lá, você ia me contar algo.< Puder todo mundo pode. > Sim, poucos têm poder do “pode”. < Falou, e podendo. > Quem pode foi você. < Quem pode mesmo foi você. > Vai lá. Podíamos. < Não entendo, também posso. > Podemos. < Essa conversa não poderia ficar mais engraçada (risos trocados). > Pode. < Pode? > Pode mesmo. < Eu preciso de uma coisa, que não sei se você poderia. > Fale para saber, se não posso. < Tenho vergonha de falar assim, poderia deixar pra lá. > Não pode, já começou. < Dói não poder. > Físico ou pode… < Foi só um jeito que pude te falar. > Pode o quê? < Te dizer o que não poderia. > Poderia, então me diz. < Ah, vê se eu posso dizer. > Claro que pode. < Não sei se quero poder, deixa as coisas como estão, não sou assim, com essa neblina de podes. > Pode dizer, para com esse mistério. < É que acabamos de transar, posso deixar pra lá. > Pode ser agora, me deixou na ansiedade. < Todo mundo poderia viver sem essa ânsia. > Também não pode dizer que só transamos, comigo houve sentimento, criamos protocolos pessoais, procuramos lidar com esse “novo normal”, temos ainda vida, e medo. < Eu também, nunca pude me senti tão ligado a alguém. > Como poderíamos ter aqueles orgasmos? < Vi uma vez, não lembro onde sobre “A pequena morte”, só pode ser coisa de francês. > Podia. < Com aqueles tipos de orgasmos, bem poderíamos ser mulheres, homens, alienígenas, girafas. > Girafas não podem disseminar pandemias e guerras, você ia me dizer algo? < Qual das guerras poderemos fugir? > Pode guerra no virtual, no real, nessas duas dimensões? < Lutamos, até podermos, uma guerra, ou várias guerras, que nem são nossas. > Parece, ou pode ser, que nunca foram. < Nem sei se posso te dizer… > Vai, cê pode sim. < Posso?, olha lá. > Pode, não irei pirar. < Nem se pudesse? > Mesmo podeno. < Tá, posso. > Vai logo, pode. < Não quero poder causar uma ideia errada de mim. > Ainda, por aqui, ideias podem ser permitidas. < Bom, puder acreditar. > Sem acreditar, pode perder de um tudo. < Apesar de te conhecer agora ao vivo, me sinto completamente em paixão, nunca acreditei em amor à primeira vista, vê se pode? ^ Haha. < Tenho uma confissão a fazer, que fiasco, só digo para quem posso ter um verdadeiro amor (serrando os dentes). ^ Hehe (olhar dilatado). < Amanhã, podemos ser reais ou apenas frutos da série de delírios brasileiros.

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Diogo Mendes é escritor e jornalista. Atualiza toda a semana o blog de cultura e arte, Pontofervura. Colabora para mídia brasileira e portuguesa. Tem lançado o livro de poemas, “emboloração”(2020) pela editora Chiado Books.

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