Alpendre poesia

Dois poemas de Aderbal Bastos Barroso

Foto: Dom J no Pexels

Gosto amargo

O meu novelo de sonhos
assusta-me com teu olhar
daquele canto da sala
e minha fala se cala
ao ver desbotar no espelho
a minha barba mal feita
e a minha imagem grisalha
na ferrugem da navalha.

Mudo eu lacrimejo e vejo
a tua miragem errante
lá ao longe pela vidraça
num torso fio de fumaça
quando te afastas de mim
só me deixando na boca
e sem nenhum doce afago
o teu gosto duro e amargo.

*

Amar-te

Eu como todo mundo vivi a me perguntar
se existia vida após a morte.

Depois que eu conheci você tenho medo que a dor me assalte,
e que todo esse amor o meu peito não comporte.

Desde então eu vivo a me perguntar
o que será da minha vida após amar-te?

***

.

Aderbal Bastos Barroso (Betinho de Celina) nasceu em Carrapicho, antigo distrito de Neópolis/SE. Membro Fundador da Academia de Letras e Artes de Neópolis – ALANE, pioneiro nos anos 80 do Arte Literatura, Caderno Cultural/Gazeta de Sergipe. Organizador da Revista Literária – “Soletrando Sonhos – Sarau Literário de Neópolis” e da Antologia “Neópolis das Letras e das Artes”. Sua poesia está presente em várias Antologias de circulação nacional. É autor dos livros: No Remanso do Rio (J. Andrade, Aracaju/SE, 2014), À Sombra dos Oitizeiros (Scortecci,2017), Agridoce Melaço de Cana e Jabuticabas Maduras (Scortecci,2018), Carvão Aceso (Scortecci,2019) e A Casa que só tinha janelas (J. Andrade, Aracaju/SE, 2021).

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