Alpendre poesia

Dois poemas de Pedro Moreira

Imagem de Ag Ku por Pixabay

Espécie de poeta

O tempo tem mudado
	       Estou amanhecendo

Finalmente cheguei
no ponto de partida

Carece que eu aprenda algumas coisas

Tenho sido treinado na paciência, 

mas nada é garantido
e sofro por coisas mínimas

Tenho sabido tão pouco sobre coisas que importam
que a minha terapeuta me recomendou
férias da análise

Tenho tido sonhos soníferos
pelas tardes que deixei de escrever

Deixar de pegar nos livros, 
por falar nisso,
foi a atitude mais acertada rumo ao conhecimento

Pena que sou fraco	confesso
     	         mea culpa		

                                                 Falo mais que escrevo
Sou uma espécie menor de poeta
que não deixa de beber uma cerveja para ter com os versos.

Infantilóide

A gente aceita o passado infantil
Ele não é tão longe quanto o ano que se passou

Não se lembrar das coisas é dádiva ou pernoite?

	       Estou solitário há séculos e ninguém
nunca respondeu uma só carta minha

	       Contraceno com os bárbaros
Escrevo para os Romeus	      Sofro

De que adianta a cítara? 	      Para sempre criança.

***

.

Pedro Moreira (1995) é poeta. Nasceu em Itaí, São Paulo. Estuda Letras na Universidade Federal do Rio Grande (FURG). Tem poemas e contos publicados nas revistas Subversa, Ruído Manifesto, Bacanal, Mallarmargens etc. Os poemas aqui apresentados foram escritos durante a quarentena de 2020. Sua coletânea de poemas Malemá, a sair pela Editora Patuá, está no prelo. Foto: Shay Lenis de los Santos Rodríguez.

%d blogueiros gostam disto: