Agenda Cultural lide liquido

Bienal Internacional de Dança do Ceará chega à 7ª edição com espetáculos filmados em realidade virtual

Silvia Moura e Ricardo Guilherme em “Se ela dança eu canto”. Foto: Luiz Alves / Divulgação.

Além de espetáculos ao vivo no YouTube, a Bienal contará com o Seminário TEPe e uma série de eventos integrados, que juntos formam uma parte da programação chamada de “Redes Confluentes”.

A Bienal Internacional de Dança do Ceará / De Par Em Par acontece este ano entre os dias 05 a 14 de março. O evento contará com apresentações e atividades formativas com profissionais locais, nacionais e internacionais transmitidas pelo YouTube. Entre as ações formativas, o Seminário TEPe terá na abertura uma conversa entre a professora de Filosofia Ana Godinho e o filósofo e pensador português José Gil, com o tema “Pandemia e alterações climáticas”.

Reconhecida internacionalmente como um dos grandes eventos de dança realizados no Brasil, a Bienal Internacional de Dança do Ceará realiza desde 2008 a Bienal De Par Em Par, um desdobramento da consolidada edição dos anos ímpares.

A Bienal fez da necessidade de adequação ao isolamento social, por conta da Covid-19, uma oportunidade de abrir suas janelas para ser acompanhada dentro e fora do Brasil pelo canal do evento no YouTube, e de agregar à sua programação uma série de importantes projetos ligados à dança deste e de outros países. Assinam a curadoria desta edição o diretor da Bienal de Dança, David Linhares, e a bailarina e gestora cultural Cláudia Pires.

Realidade Virtual

Para manter a dança próxima do público sem a sua presença na plateia, a Bienal investiu em tecnologia na estrutura de filmagem dos espetáculos. Seguindo os protocolos de biossegurança recomendados pelas autoridades sanitária, os trabalhos serão apresentados em Fortaleza no Theatro José de Alencar, no Porto Dragão e no Cena 15 – Centro de Narrativas Audiovisuais do Porto Iracema das Artes, equipamentos da Secretaria da Cultura do Ceará (Secult Ceará), com acesso restrito às companhias de dança e a equipe técnica, e transmitidos ao vivo no YouTube. O acesso aos equipamentos a todos os profissionais envolvidos só será permitido após realização do teste RT-PCR (swab), que será oferecido pela Bienal, e a confirmação de resultado negativo de Covid-19.

Será utilizada a câmera VR, que se constitui em um conjunto de câmeras que conseguem filmar o espetáculo a partir de várias lentes alinhadas. Essa tecnologia permite compor uma espécie de esfera ótica onde se filma um espaço em 360 graus.

“A utilização dessa tecnologia traz a dimensão dos múltiplos recortes da imagem, abrindo ao espectador a possibilidade de maior interação diante de um quadro que não está pré-definido”, explica o cineasta Alexandre Veras, diretor da transmissão ao vivo. “O espetáculo é gravado mantendo uma dimensão cênica e o espectador pode navegar, fruir, olhando para onde quer. Isso lhe restitui essa possibilidade que às vezes o olhar da câmera retira, quando enquadra e fixa em um ponto de vista”, continua.

Além da transmissão ao vivo, a tecnologia utilizada na filmagem vai gerar um arquivo de imagens que possibilitará manter a íntegra dos espetáculos filmados e a produção dos documentários das companhias, que incluem cenas de bastidores, making of e o processo de produção de cada espetáculo.

HOMENAGEM

Nesta edição, a Bienal presta homenagem a Lourdes Macena, que fundou há 39 anos o Grupo Miraira, quando ingressou na Escola Técnica Federal do Ceará, atuando na disciplina de Educação Artística.

Lourdes nasceu em Barreira, cidade do Maciço de Baturité, lugar dos cajueirais, das apanhas de castanhas e cajus, dos cortes de palha de carnaúbas e dos banhos de riachos. Sua relação com a dança provém de sua conexão com um outro lugar que na década de 1970 chamava-se Congo, e era distrito de Limoeiro do Norte.

Rosa Primo, em “Iracema”. Foto: Dan Seixas.

PROGRAMAÇÃO:

Espetáculos ao vivo

De 05 a 14 de março, às 17 horas, o público da Bienal poderá acompanhar ao vivo pelo canal do YouTube a transmissão de espetáculos direto do Theatro José de Alencar, do Porto Dragão e do Cena 15: Paracuru Cia de Dança apresentando “Praia das Almas” e a nova criação “Inventário de Belezas”, coreografia de Fernando Bongiovanni; a Companhia da Arte Andanças, com direção de Andrea Bardawil, em “O tempo da paixão ou o desejo é um lago azul” e “Graça”; Cia VatáCompanhia de Brincantes Valéria Pinheiro, em “233A 720 KALOS”; Alysson Amancio Cia de Dança apresenta em “Cabra da Peste”; Rosa Primo, em “Iracema”; Zé Viana Júnior, em “CorpoCatimbó”; Clarice Lima, em “Intérpretes em crise”; Cia Balé Baião, em “Prelúdio para danças caboclas”; e da França, a Cie. R.A.M.a, de Fabrice Ramalingom em “My (petit) Pogo”.

Às 19h, a programação ao vivo segue com a Cia Dita, com os espetáculos “Fortaleza” e “Mulata”; Jorge Garcia Companhia de Dança, com “Nihil Obstat”; Teatro Máquina, com “O Cantil”; Rosa Primo, com “Tudo passa sobre a terra”; Andreia Pires, com “Fortaleza 2040”; Edmar Cândido, com “Canil”; Wellington Gadelha, com “Gente de lá”; e a bailarina, coreógrafa e performer Silvia Moura, com o ator, dramaturgo e diretor teatral Ricardo Guilherme, em “Se ela dança eu canto”.

SEMINÁRIO TEPe

Coordenado por Daniel Tércio (Lisboa – Universidade de Lisboa / FMH – Faculdade de Motricidade Humana), Leonel Brum (UFC – Universidade Federal do Ceará / UFF – Universidade Federal Fluminense), Beatriz Cerbino (UFF – Universidade Federal Fluminense) e Paulo Caldas (UFC – Universidade Federal do Ceará), o Seminário TEPe é um projeto de diálogo e cooperação entre dois grupos de pesquisadores brasileiros e portugueses que vem sendo trabalhado há três anos, propondo um debate em torno da dança, da paisagem urbanas e de inquietações.

O Seminário acontecerá de 05 a 14, sempre às 15h. Na abertura, uma conversa entre a professora de Filosofia Ana Godinho e o filósofo e pensador português José Gil terá como tema “Pandemia e alterações climáticas”. Nos outros dias o Seminário TEPe abordará “Banco de Abraços: Mulheres que ensaiam zonas de resistência”, “[In]submersas”, “Sensorial walk”, “Travessia”, “1997|2004 Dança em Lisboa”, “Pop-Up!”, “Infodemics”, “RESTO: no tempo, no silêncio, na escuta” e “Dançar como árvore”.

Confira a programação na íntegra pelo site: www.bienaldedanca.com

SERVIÇO:

VII Bienal Internacional de Dança do Ceará / De Par Em Par
Quando: De 05 a 14 de março de 2021 no canal do evento no YouTube.
Informações: bienal@bienaldedanca.com. Site: http://www.bienaldedanca.com.
Toda a programação é gratuita.

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