Agenda Cultural lide liquido São Paulo

Estúdios de gravação das Fábricas de Cultura completam 5 anos

Foto: Viviane Abrahão, por Murilo Muraah.

Espaços oferecem suporte à formação, gravação, mixagem e distribuição de trabalhos musicais de diversos artistas, principalmente os que vivem nas periferias da capital e região metropolitana de São Paulo.

Os estúdios de gravação das Fábricas de Cultura das zonas norte e sul de São Paulo – programa da Secretaria de Cultura e Economia Criativa do Estado de São Paulo e gerenciado pela Poiesis – completam 5 anos com cerca de 20 mil pessoas atendidas até 2019. Devido à pandemia de Covid-19, os atendimentos dos estúdios foram suspensos em 17 de março de 2020 e continuam dessa forma para combater a proliferação do novo coronavírus.

Inaugurados em 2015, os estúdios das Fábricas de Cultura Brasilândia, Capão Redondo, Jaçanã, Jardim São Luís e Vila Nova Cachoeirinha atendem cerca de cinco mil pessoas por ano, desde músicos amadores, artistas independentes, aprendizes dos ateliês e trilhas formativas do programa cultural voltado para as periferias da cidade e região metropolitana de São Paulo.

Banda Cigano Blues. Foto: Divulgação

Desde a inauguração, diversas ações e artistas de destaque utilizaram esses espaços, tais como o lançamento de 10 coletâneas de temas distintos, formadas por músicas gravadas nos estúdios das Fábricas de Cultura das regiões norte e sul de São Paulo e distribuídas a partir de 2017 pela Tratore, parceira do programa e o lançamento do álbum “Ar da Liberdade”, em 2018, com músicas gravadas por jovens em privação de liberdade, realizado em parceria com o Projeto Guri e a Fundação CASA.

Diferentes artistas de destaque também gravaram nos estúdios das Fábricas de Cultura, como Luedji Luna, Ana Cacimba, Harlley (Quebrada Queer), Jup do Bairro, Apolo, Banda Nã, Cacau e Gabriela Kivitz do hit “Jogadeira”, destaque na Copa do Mundo de Futebol Feminino 2019, Claudinho de Oliveira (ex-Soweto), Edgar, Kátya Teixeira, Luiz Celestino, Maria Beraldo, Mariá Portugal, Maurício Pereira, Netão, Paulo Bira, Prettos, Projeto Guri, São Yantó, Sérgio Vaz, Socorro Lira, Tintapreta, Tom Zé, Uma Luiza Pessoa, entre outros.

MC Frank Bruno. Foto: Divulgação

Os estúdios oferecem toda a estrutura profissional para a gravação, edição e mixagem de áudio, incluindo salas com tratamento e isolamento acústico, computadores com softwares de áudio, mesas de som, monitores de áudio, microfones, fones de ouvido, bateria, amplificadores e cabeamento. O público atendido precisa levar os próprios instrumentos musicais e itens pessoais, como guitarra, baixo, pedais, pratos de bateria e os cabos de seus instrumentos. Cada estúdio conta com dois técnicos (as) de áudio especializados para realizar os atendimentos de gravação e mixagem de áudio.

Projetos

Além de possibilitar que músicos, aprendizes e frequentadores do programa tenham contato direto com uma estrutura profissional para captar e finalizar suas composições, os estúdios das Fábricas de Cultura desenvolveram uma parceria com a distribuidora musical Tratore, permitindo que artistas interessados distribuam suas faixas nas principais plataformas digitais de música do mundo, sem a cobrança das taxas de cadastro.

Mesa de som dos estúdios. Foto: André Hoff

Os estúdios também contribuem para a profissionalização, oferecendo formações para músicos, produtores, coletivos, empresários e demais expoentes do mercado musical que atuam, sobretudo, nas regiões onde as Fábricas de Cultura estão localizadas. Artistas das periferias realizam atividades com nomes de referência de diversos setores da indústria da música, o que possibilita um intercâmbio entre o conhecimento da cultura independente e o conhecimento mercadológico, favorecendo a troca de experiência, oportunidades e a criação de redes. Estas atividades seguem ocorrendo e, no ano de 2020, foram oferecidas de forma virtual.

Por exemplo, o Atalhos Sonoros, projeto realizado pelas Fábricas de Cultura e a Tratore; e a SIM Transforma, fruto de uma parceria com a Semana Internacional de Música de São Paulo – SIM São Paulo. Destaque também para ações como: Estúdio Móvel, um tipo de estúdio portátil por onde as equipes técnicas dos estúdios realizam a captação de áudio de apresentações musicais e outras atividades das Fábricas de Cultura; mapeamento e fortalecimento de redes com produtores musicais, estúdios e home studios localizados nas periferias onde as Fábricas estão inseridas e realização de oficinas, encontros de produtores e demais atividades por meio do contato com agentes musicais locais.

Coletâneas e Playlists

Para quem quer ouvir algumas das faixas gravadas nos estúdios, as Fábricas de Cultura também disponibilizam playlists e coletâneas musicais que podem ser acessadas gratuitamente nas plataformas de streaming SoundCloud e Spotify.

As dez coletâneas das Fábricas de Cultura, lançadas em parceria com a Tratore, podem ser acessadas no link http://www.fabricasdecultura.org.br/tratore/. No SoundCloud – https://soundcloud.com/fabricasdecultura/sets – há cinco playlists com músicas e podcasts dos estúdios das Fábricas, incluindo faixas gravadas por artistas independentes e por aprendizes das unidades, além de outras três playlists com faixas e podcasts produzidos por outras equipes do programa.

Estúdio da Fábrica de Cultura Jardim São Luís. Foto: André Hoff.

As Fábricas também disponibilizam playlists no Spotify – https://open.spotify.com/user/fabricasdecultura – incluindo uma playlist com músicas gravadas nos estúdios das Fábricas e doze playlists que reúnem músicas de artistas já consagrados, organizadas em temáticas como Onde estamos – os bairros das Fábricas de Cultura, que traz grupos como Racionais MC’s, Fundo de Quintal e RZO.

Murilo Muraah, analista de articulação e difusão das Fábricas de Cultura da zona norte e sul de São Paulo, inclusive unidade Diadema, aponta a diferença entre coletânea e playlist: enquanto a primeira é um álbum formado por músicas de diferentes artistas ou canções de diferentes álbuns de um mesmo artista ou banda, não sendo modificada após seu lançamento, que pode ser virtual ou em mídias como CD e LP, a segunda é uma lista mutável de execução de faixas escolhidas pelo usuário de uma plataforma digital, podendo ser criada por qualquer pessoa ou por organizações, empresas, programas etc.

SERVIÇO

Fábrica de Cultura Brasilândia

Avenida General Penha Brasil, 2508 | Telefone: (11) 3859-2300

Fábrica de Cultura Capão Redondo

Rua Bacia de São Francisco, s/n |Telefone: (11) 5822-5240

Fábrica de Cultura Diadema

Rua Vereador Gustavo Sonnewend Netto, 135 – Centro – Diadema/SP | Telefone: (11) 4061-3180

Fábrica de Cultura Jaçanã

Entrada 1: Rua Raimundo Eduardo da Silva, 138 | Entrada 2: Rua Albuquerque de Almeida, 360 | Telefone: (11) 2249-8010

Fábrica de Cultura Jardim São Luís

Rua Antônio Ramos Rosa, 651 | Telefone: (11) 5510-5530

Fábrica de Cultura Vila Nova Cachoeirinha

Rua Franklin do Amaral, 1575 | Telefone: (11) 2233-9270

SOBRE AS FÁBRICAS DE CULTURA

As Fábricas de Cultura são espaços de acesso gratuito que disponibilizam diversas atividades artísticas. Criadas com o objetivo de ampliar o conhecimento cultural por meio da interação com a comunidade, as Fábricas oferecem uma programação cultural diversificada. Nas unidades você encontrará cursos, atividades, bibliotecas e estúdios de gravação. Em 2020, o Programa Fábricas de Cultura – instituições da Secretaria de Cultura do Estado de São Paulo, gerenciadas pela Poiesis – conta com o patrocínio do Instituto Center Norte por meio da Lei Rouanet. O apoio contribui para a realização de atividades de formação e difusão cultural.

SOBRE A POIESIS

A Poiesis – Organização Social de Cultura é uma organização social que desenvolve e gere programas e projetos, além de pesquisas e espaços culturais, museológicos e educacionais, voltados para a formação complementar de estudantes e do público em geral. A instituição trabalha com o propósito de propiciar espaços de acesso democrático ao conhecimento, de estímulo à criação artística e intelectual e de difusão da língua e da literatura.

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