Alpendre poesia

Dois poemas de Magno Catão

Imagem de Tim Hill por Pixabay

Para me lembrar
deito-me sobre seixos coloridos
para me lembrar
abraço o véu de nuvens de abril
arrisco-me a observar
corredores de lírios.
Para me lembrar
do que é ser amado
escrevo nomes em mastros de marfim
para me lembrar de algo assim
algo assim
não menos que extenso
e no entanto
tão orvalho
e no entanto
tão lua minguante
riscos de arcos no silêncio do céu.

*

Encontro com Mrs. Woolf

Nas dunas de grãos
branquinhos, branquinhos
e na restinga de coroas altivas
Virginia compõe ao meu lado
antigas e sonoras elegias.

A tarde escorre laranja
até a noite derramar
seu estranho leito
sobre as ramas verdes.

O mar é triste
e mais profundo
que o Rio Ouse.

Nada posso fazer por Virginia
mas jogo fora as pedrinhas do bolso.

***

.

Magno Catão nasceu em 10 de novembro de 1993 em Natal (RN). É advogado e poeta. Graduado em Direito pela Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN) e mestre em Direito pela Universidade Federal de Pernambuco (UFPE). Venceu em 2019 o Prêmio Othoniel Menezes de Poesia, realizado pelo Município do Natal; em 2020, foi segundo colocado no Prêmio Edgar “Blackout” Borges de ensaios acadêmicos com temática de igualdade racial. É apaixonado pela poesia potiguar, por Sophia de Mello Breyner Andresen e Toni Morrison. É autor do livro de poemas Convalescente (2017).

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