Colaboradores Glória Damasceno

Vendo Minha Memória Ar-Tu

Foto: Divulgação

Por Glória Damasceno – 30/11/2020

“Ar-tu”. É assim que a mãe, e os conterrâneos nordestinos dele, assim o chamam. Artu Medeiros, “o artista que conta histórias através de melodias”, está lançando um single no próximo dia 5 de dezembro, e junto à canção um clipe, ou melhor, um “filme” com a duração de uma música habitual.

A música “Vendo Minha Memória” é uma expansão de seu primeiro EP, que levou quase 2 anos para ser produzido e apresenta três canções também de composição do próprio cantor. Além disso esse lançamento é ainda um lembrete: a vontade de Artu de produzir, de tocar pra frente seus projetos, nunca cessa, ainda que um vírus super contagioso adie seus planos, e de certa forma finque seu corpo dançante por um tempo que mais parece a tal da eternidade de tanto que demora pra contar o tempo de suas horas.

“Eu defino o primeiro projeto enquanto algo muito meu. Eu estou ali. Eu queria que o primeiro EP enquanto artista fosse exatamente como eu estava pensando: ter barulho de criança, folha sendo pisada… Eu queria contar histórias”, diz.

O cantor sinaliza que esse single é um momento “mais pop” de seu trabalho, e uma continuação da narrativa musical que ele trouxe ao mundo no início deste ano. “A ideia do primeiro EP, antes da pandemia, era que fosse uma coisa interligada. Eu conto uma história em sequência ou uma história de três pessoas diferentes. A intenção sempre foi a de chegar no audiovisual (por isso a ideia do clipe como um filme). Música pra ouvir e pra assistir.”

Tanto o single “Vendo Minha Memória” quanto as músicas já lançadas são escolhas que partiram do que os falantes da Língua Inglesa chamam de “gut feeling”, decisões do momento em que o artista apenas sabe que é por ali mesmo o caminho. Artu tenta ao máximo ser fiel ao chamado poético de suas veias, porque foi assim que o ator se tornou cantor, e é assim que o ator segue cantarolando. Por isso certa vez ele disse pra si:

“Eu tenho este teclado, que uso para fazer vocalise (exercício vocal), eu estou precisando externar coisas… Eu já tinha escrito algumas poesias, por exemplo. Será que consigo compor uma música? Algo que eu gostaria de escutar?” Não só conseguiu, como se alegrou com o resultado de seus vocais dantes inquietos por algo que só a música soube abraçar. Além disso, Artu busca “representar o máximo de pessoas” nas letras de suas músicas e por esse motivo tem uma preocupação especial:

“As letras não têm gênero. Mulheres podem cantar. Homens podem cantar. Você pode cantar para a pessoa que você namora, para a sua mãe. Busco sempre a neutralidade do gênero na linguagem”, pontua.

Foto: Divulgação

“Eu queria me alcançar
Mas que pena que não deu
Nem no espelho quero olhar
Esse rosto que é meu”
(Trecho da música Pra Felicidade Vir)

Antes que o novo single de Artu Medeiros chegue aos seus ouvidos, você pode curtir o primeiro EP dele no link abaixo na plataforma que melhor lhe servir:

https://bit.ly/3akZLIM

E pode ainda dar uma esticada numa breve linha do tempo sobre o ser humano que compõe o artista desta matéria.

A inquietação em pessoa

Filho de mãe pedagoga, sendo o mais velho de três irmãos, Artu Medeiros (27) nasceu em Maceió, Alagoas. Morou na capital alagoana até os 6 anos de idade e depois foi morar no interior do estado, na cidade de Boca da Mata, em virtude do trabalho dos pais. Dos 6 aos 14 viveu nesse município, e depois dessa temporada no interior voltou a Maceió para fazer um curso integrado ao ensino médio.

“A minha formação acadêmica é muito aleatória”, conta rindo. “Eu sou técnico em eletrotécnica pelo Instituto Federal de Alagoas (IFAL) e bacharel em Contabilidade pela Universidade Federal de Alagoas (UFAL).” Dá para acreditar? Se Artu não revelasse, dificilmente alguém diria!

Em 2014 foi intercambista de uma organização estudantil e escolheu a Argentina como destino. Retornou dessa experiência disposto a investir ao máximo naquilo que adorava desde criança: a dramaturgia. “Não tive uma escola profissionalizante de teatro, mas os momentos lúdicos da escola, eu fazia parte de todos não só para atuar, mas até para dar palpite! Era algo muito prazeroso, e natural em mim.”

Artu então fez cursos na área teatral, e depois de trabalhar duro para juntar uma grana, e concluir a graduação em Contabilidade, sentiu que era hora de se aventurar em São Paulo, conhecer gente lá, ser visto lá, estar lá, mas dessa vez ele ia para ficar… E se jogou na “Selva de Pedra” aos 23 anos de muitos sonhos, lugar em que reside até hoje.

“Sempre estive aberto a estar onde a vida me levasse, e por uma questão de oferta de trabalho e cursos, entre São Paulo e Rio de Janeiro — o eixo aconselhado por profissionais do teatro e amigos — escolhi SP por identificação mesmo”, conta o artista “camaleão” como se autointitula. Ao chegar na cidade mais populosa do Brasil, ele pagou mais uma vez o preço. Passou a trabalhar em bares, com recreação infantil, em hostel… Tudo para conseguir se sustentar e ter a flexibilidade de horários para eventuais trabalhos artísticos à medida que fosse se integrando àquele mundo.

Foto: Arquivo pessoal

A publicidade foi, e ainda tem sido, sua vitrine, a porta de entrada para alcançar seu principal objetivo, o de viver do teatro.

“Pelo que eu vejo, o trabalho do audiovisual, mesmo aqui em São Paulo, é focado mais em publicidade e cinema-série-novela (trabalho de conteúdo). Eu estava buscando mais trabalhos na parte de atuação de palco, dança, música, porque é de onde vem a maior parte da minha formação”, pontua. “Mas por uma questão financeira e de visibilidade, eu me abri pro mercado da publicidade — em especial — para que as produtoras e os agentes me conhecessem e possivelmente me direcionassem para trabalhos nos quais eu me encaixaria.”

É dessa maneira, entre uma publicidade e um ensaio fotográfico, que Artu Medeiros, o garoto topa-qualquer-papel das encenações teatrais do colégio, vai conquistando seu espaço, se fazendo acontecer entre notas de teclado, e versos no papel.

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Autora de textões, textinhos e 29 anos de dor & glória. Dentre as glorices, a Graduação em Jornalismo pela Universidade Federal de Alagoas (UFAL), o atemporal Vidas Anônimas (blog), e a transformadora Educação Emocional e Social.

Ama um reboliço, um café com leite, a cor vermelha e livros, muitos livros lidos!, decorando a casa!

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