Alpendre Crônica

[Crônica] Suco de conceito e Dia normal depois de tudo, de Lucas Radí

Imagem de OralNwaka por Pixabay

Suco de conceito

A couve, feita na manteiga, por si só já é uma bela refeição. O gengibre me socorre quando os diversos problemas da minha garganta atacam. O limão é peça chave e eterno companheiro pra caipirinha. Sobre a maçã, confesso, deveria comer com uma frequência maior. Água de côco e laranja são pontos cruciais pra vida, ainda mais tratando-se da vida tropical da região que vivo na América do Sul. Ingredientes que tão complexos e distintos, juntos, fazem mágica.

Assim como hipsters, sou adepto do suco verde. Nunca foi pela pose. Não consumia antes, apesar de ser vegetariano há meia década. Mas o diagnóstico de anemia que repousou no corpo de minha companheira nos fez querer mudar alguns hábitos. Mel, que não comia feijão com frequência nenhuma, agora é defensora da prática. Eu, que já comia bastante, agora tenho pretexto pra comer em dobro. A rotina tem sido essa, tomar suco verde em jejum, de manhã. O ferro e a vitamina C dão as mãos. Aos opositores: diria que vale a tentativa — se não for por questões de saúde, imagine que não é sempre que você consome alguma bebida verde e que faz sucesso entre blogueiras e blogueiros fitness.

A ideia é simples, você só precisa de: couve, gengibre, limão, maçã (ou laranja, que é minha preferência), água de côco (ou mineral) e hortelã (ou salsa, mas é opcional). Bate tudo no liquidificador. Depois de consumir e perceber que é mesmo bom, pode correr pra primeira plataforma digital que você encontrar e contar sua experiência. Os efeitos nutritivos só aparecerão depois de fazê-lo. Esse é o conceito.

Dia normal depois de tudo

Entre prédios há névoa densa e, no meio da névoa, bem atrás dela, há outros prédios, quase invisíveis. Daqui de cima vejo que a vegetação que sobrou é pouca e bem pequena, nada frutífero. Surpreendentemente, sobraram também alguns postes, mesmo que sejam raros os que possuam alguma iluminação que preste. Carros, parados nas ruas e calçadas, servem de pura decoração. Nem em meus piores sonhos imaginaria um fim-de-mundo tão estranho.

Os diários são quase sempre iguais desde então: clima, tempo, vegetação, avanço dos problemas, retrocesso das soluções, o que comemos, o que bebemos, o que escutamos. A documentação é importante e crucial, já que a partir dela temos a oportunidade de entender melhor os dias, de comparar, de diagnosticar e produzir algo pro futuro; e, da mesma forma, conseguimos perceber alguns dos incontáveis fragmentos do passado, do ontem e de outro dia que já não é mais.

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Lucas Radí tem 22 anos e é cronista em plataformas digitais. Observa ruídos e narrativas cotidianas em evidência. É estudante de História e baterista de uma banda goiana.

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