Colaboradores Oldemburgo Neto

Eterno comandante

Após sobrevoar a tribuna por várias vezes, uma pomba branca, animal que simboliza a paz, pousa no ombro direito de Fidel Castro durante discurso a uma multidão em Marianao, Cuba. Foto: Reprodução.

Por Oldemburgo Neto – 17/08/2020

Para sempre vivo nos corações e mentes dos homens e mulheres de boa vontade, a memória e o legado de Fidel Castro, que faria 94 anos no último dia 13 de agosto, seguem inspirando e conduzindo Cuba na absoluta vanguarda do enfrentamento à Covid-19. A pandemia é mais uma batalha vencida pela pequena-grande ilha caribenha à luz do pensamento de seu eterno Comandante en jefe.

Dificilmente, para não dizer que é impossível, exista na história contemporânea um homem como foi Fidel Castro Ruz. Sua contribuição para a posteridade na construção do socialismo é e sempre será um exemplo a ser seguido pelos povos do mundo, em particular de nossa América, a Pátria Grande, tão sonhada por José Martí, baluarte dos ideais revolucionários, emancipatórios e humanos da revolução cubana.

Fidel sempre me inspirou a travar batalhas e vencê-las. Sempre se adiantou, como bom estrategista que era, a todas as intempéries que podem ocorrer durante um combate. Uniu forças, preparou os palcos, estudou os inimigos e sempre esteve à frente de sua tropa. Em memória de seu 94º aniversário, celebrado no dia 13 de agosto último, escrevo sobre os aspectos positivos porque, indubitavelmente, como toda obra humana, pode haver erros que, neste caso, são minimizados por inquestionáveis êxitos.

Na maior ilha das Antilhas a luta contra a Covid-19 não se dissocia um momento sequer do legado fidelista: seus conselhos e advertências, sua estratégia e sua concepção sobre a guerra de todo um povo são determinantes no enfrentamento à pandemia. Estamos falando de um país que envia seus filhos a oferecer saúde e vida em troca de nada, sem distinção de raça, cor, religião ou ideologia.
Hoje, quando centenas de médicos cubanos levam solidariedade, saúde e humanismo a mais de 60 países, o reconhecimento a Cuba aparece até mesmo nas mais longínquas e desprestigiadas comunidades, dentre as quais estão muitas localidades brasileiras, que lamentavelmente amargam a dor da saudade destes soldados de batas brancas que já não atuam mais por aqui.

A pandemia do novo coronavírus impõe outra batalha que o eterno Comandante e seu povo forjado na unidade popular vão vencendo. Cuba é, de fato, o maior e mais eficaz exemplo de articulação nacional contra a doença no planeta. Os números não me deixam mentir. As capacidades do país para enfrentar a Covid-19 sem os saldos fatais de outros países é mais uma entre outras materializações do pensamento de Fidel junto a outros homens e mulheres de honra desde o triunfo da Revolução de 59. Partiu de Fidel e Ernesto, o saudoso Che, o conceito de médicos e enfermeiros da família, entendendo que a ciência tinha que ser parte da vida cotidiana do país, dando início a um importante processo de formação de polos científicos espalhados por Cuba.

Sem Cuba pedir, dezenas de países atualmente estão liderando uma campanha internacional para que as brigadas médicas cubanas que seguem atuando longe da ilha enfrentando o coronavírus recebam o Prêmio Nobel da Paz. Trata-se do Contingente Henry Reeve, uma organização de médicos cubanos especializados em situação de extrema pobreza, desastres e epidemias graves, criada em 2005 pelo próprio Fidel Castro, que proferiu as seguintes palavras durante o ato solene de criação da brigada:

“Nós demonstraremos que há respostas a muitas das tragédias do planeta. Nós demonstraremos que o ser humano pode e deve ser melhor, e demonstraremos o valor da consciência e da ética. Nós ofereceremos vida”.

“Lutar contra o impossível e vencer”, diz um dos inúmeros outdoors, cartazes e muros com frases de Fidel espalhados por Havana.

A pandemia segue seu curso e o mundo continua rumando a incertezas cada vez maiores. São tempos difíceis, é verdade. Chegam imagens de horror o tempo todo, de toda sorte e de todo lugar na luta contra a morte. Países ricos com sistemas de saúde em colapso e altos índices de contágio; espetacularização, ridicularização e naturalização da morte com a chancela de tipos torpes como Trump e sua versão mais patife e subserviente, Jair; e, como uma espécie de farol que norteia, que dá sentido e direção, está aquela pequena-grande ilha em permanente prontidão para acolher e salvar vidas, desafiando o inimaginável, resistindo com bravura e com constantes lições de como proteger seus filhos dando a eles e aos outros não o que sobra, mas tudo que se tem.

O legado do eterno Comandante me inspira com mais força justamente quando o momento não é bom. Quando mesmo um grande esforço não é suficiente. Quando é necessário se reinventar e buscar outras alternativas. Quando a expectativa se transforma freqüentemente em frustração. Pergunto-me: o que faria Fidel? Como se nele estivessem, como sei que estão, quase todas as respostas, que sempre vinham com a sabedoria e altivez de quem colocou a própria vida em jogo ao longo de mais de 60 anos para que toda Cuba pudesse ler, para que a ignorância não tomasse o lugar do conhecimento, para que a solidariedade seja incorporada como condição sine-qua-non no coração de cada compatriota. Sua perene e vivaz confiança em seu povo, seu agir solidário, sua natural eloquência que impressionava, sua decência inabalável e outros predicados mil não nos deixam dúvidas: Fidel, mesmo morto fisicamente, segue vencendo mais uma batalha e Cuba segue sendo vanguarda.

E eu sigo tendo na figura do Comandante um importante referencial humano, político e moral. Nunca consegui nutrir sentimento semelhante por outra liderança política de qualquer outro lugar.
Quando estive em Cuba no ano em que se comemorava 60 anos da Revolução pude reafirmar não só as minhas convicções políticas e humanistas senão a certeza de que minha melhor saudade tem nome, cheiro e lugar: La Habana, com o marcante aroma do melhor tabaco do mundo logo ao desembarque, capital de uma ilha mágica cujo povo, sob a liderança deste cubano nascido há 94 anos, se dispôs a construir seu próprio destino sem se curvar ao imperialismo vil e cruel do poderoso vizinho do norte. Fidel vive! Hasta la victoria siempre!

Assine a petição pública para que o Prêmio Nobel da Paz 2021 seja dado para as Brigadas Médicas Cubanas Henry Reeve. Ajude a fortalecer a solidariedade mundial de que tanto precisamos, além de suscitar a esperança de que políticas e ações comprometidas com a vida devem substituir ações e políticas que visam exclusivamente o lucro e que naturalizam a morte. https://brigadasmedcuba.com

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Oldemburgo Neto é jornalista, graduado pela Universidade Federal de Alagoas (Ufal), com passagens por redações de web (Portal G1), jornal impresso (Gazeta de Alagoas) e assessoria de comunicação (Companhia de Saneamento de Alagoas). Também colabora com textos nos coletivos Jornalistas Livres e Mídia Caeté. Músico nas bandas alagoanas Garden e Alma de Borracha. Progressista & alucinado pela arte de viver.

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