Colaboradores Ricardo Escudeiro

Dois poemas de Michael Robbins // Tradução de Ricardo Escudeiro

Foto: Dan Dry

Michael Robbins é autor dos livros de poesia “Alien vs. Predator” (Penguin, 2012) e “The second sex” (Penguin, 2014). Publicou também o livro de crítica “Equipment for Living: On Poetry and Pop Music” (Simon & Schuster, 2017). Tem poemas e trabalhos de crítica publicados em mídias como “New Yorker”, “Poetry”, “Harper’s”, “Boston Review”, “London Review of Books”, “The New York Observer”, “Chicago Tribune”, entre outras. É doutor pela Universidade de Chicago e leciona escrita criativa na Universidade de Montclair.


Use Your Illusion

It’s a gorgeous day, not a bat in the sky.
The topography’s square with the recon.
Contents may have shifted during rapture.
Let’s put the Christ back in Xbox.

This baby is disgusting. Fuck you, baby.
Get a job. You have the worst taste in art.
A real Winston Churchill, this one. Your lot’s loss?
So lose. Lose the attitude. Lose the dress.

I was saying something about a baby.
It had eleven dimensions, kind of
a dim bulb. The last of a tiny race.
Just a shadow on a milk carton now.

I saw myself in half then make myself
disappear. Maybe the other way round.
Let’s hear it for my lovely assistant.
She’s the lower half of my body, sawn.
I open the cabinet and poof she’s gone.

Use Your Illusion

Que dia esplêndido, nenhum morcego no céu.
No visualizador da topografia a informação.
O conteúdo pode ter mudado no arrebatamento.
Vamos pôr o Cristo de volta no Xbox.

Esse bebê é repulsivo. Vai se foder, bebê.
Arruma um emprego. Você tem o pior gosto na arte.
Um verdadeiro Winston Churchill, esse aqui. Sua pilha de perdas?
Então perde. Perde a atitude. Perde a saia.

Eu dizia alguma coisa sobre um bebê.
Tinha onze dimensões, meio que
um bocó. O último de uma raça minúscula.
Agora só uma sombra numa caixa de leite.

Eu vi uma metade de mim e então me fiz
desaparecer. Talvez tenha sido o contrário.
Vamos ouvir a minha amável assistente.
Ela é a metade de baixo do meu corpo, serrada.
Eu abro o caixote e puf ela sumiu.

§

Confessional Poem

You had a woodchuck and an opium ball.
The one ate through the furniture,
the other sat in its cage depressing me.
Now the woodchuck sheds its skin.
I have a cow behind the Dollar Bin.

You shouldn’t drink diarrhea
unless you bring enough for everybody.
Turn it into a teaching moment.
Asian-American Students for Christ
have the room until 2:30.

Rumi says no donkey is a virgin,
no, nor any beast that bites the grass.
Maybe it sounds better in Persian.
An unseen force propels the carts
across the Whole Foods parking lot.

The woodchuck hasn’t been born yet
I’d rather keep than you as a pet.
You’ll sleep on wood shavings, I’ll comb your pelt.
That animal loved you, his captor,
whom he hated. I know just how he felt.

Poema Confessional

Você tinha uma marmota e uma capsula de ópio.
Uma corroeu a mobília,
a outra sentou na gaiola me deprimindo.
Agora a marmota troca a pele dela.
Tenho uma vaca atrás da Lata de Moedas.

Beber diarreia é inadequado
a não ser que você traga o suficiente para todos.
Faz disso um instante de ensinamento.
Os Estudantes Asiático-Americanos Com Cristo
têm a sala até as 2:30.

Rumi diz que nenhum burro é virgem,
não, nem qualquer fera que morde o mato.
Talvez soe melhor em Persa.
Uma força invisível puxa as carroças
pelo estacionamento da Mundo Verde.

A marmota nem nasceu ainda
já é ela e não você a preferida.
Você vai dormir na serragem, eu vou escovar sua pele lisa.
Aquele bicho te amava, quem confina-o,
a quem ele odiava. Sei bem como se sentia.

*

Notas do tradutor:
*os poemas estão em “theawl.com” e “poetryfoundation.org”, respectivamente.
**meu agradecimento ao escritor e jornalista Fred Di Giacomo, que me apresentou esse autor
.

***

.

Ricardo Escudeiro (Santo André-SP, 1984) é (ex) metalúrgico e (ex) professor. Autor dos livros de poemas “a implantação de um trauma e seu sucesso” (Editora Patuá/Editora Fractal, 2019), “rachar átomos e depois” (Editora Patuá, 2016) e “tempo espaço re tratos” (Editora Patuá, 2014). Atua como editor na Fractal e na Patuá. Criou e ministrou, em 2019, o curso livre “Violências simbólicas e históricas em literaturas de língua portuguesa – poder, diversidade”, oferecido no campus Santo André da UFABC. Possui publicações em mídias digitais e impressas: Escamandro, Germina, Jornal RelevO, Revista 7faces, Mallarmargens, Flanzine (Portugal), Enfermaria 6 (Portugal), Tlön (Portugal), LiteraturaBR, Diversos Afins, Ruído Manifesto, Arribação, entre outras. Publicou mensalmente, entre 2014-2016, poemas na Revista Soletras, de Moçambique.

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