Alpendre poesia

Dois poemas de Lorena Medronho

Foto: Pixabay

I

dilatar as brechas
em busca de
nada além
delas mesmas.

alongar o tempo
em busca de
nada além
deles mesmos.

deles mesmos,
em busca de
nada além
das brechas.

as brechas o tempo,
nada além

encontrar o ponto nunca foi tão difícil.

II

deixa eu te contar uma coisa,
já tem uns dias
que tenho tido insônia,
daquelas infinitas
que o sol se mistura com
o sonho,
e as cobertas,
com a maré.

essa tua liberdade
cor de azul,
e esses teus olhos
me despindo,
ainda vão me sujeitar
a esboços tortos.

vem aqui,
já tem um tempo
que não me liga,
sinto falta daquela
transposição
da lógica.
do meu vício em
conjunções,
pronomes,
do seu vício em
substantivos,
advérbios,
do nosso vício
em verbos.

queria te falar
daquele dia,
um calor desgraçado
nesse brasil gigante
e rio de extremos

eu marquei aquele dia.

***

.

Lorena Medronho tem 22 anos e mora no Rio de Janeiro. Poeta, contista, pesquisadora e cientista ambiental em formação. Já teve dois livros publicados em coletânea com a FLUP, e atualmente está prestes a lançar seu primeiro livro solo: “me avise quando for desligar a luz”.

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