Coluna Romero Venâncio

‘O povo armado jamais será escravizado’ – 8 pontos sobre um perigo real

Foto: Reprodução

Por Romero Venâncio – 22/5/2020

Acabei de escutar trechos da famosa reunião ministerial que estava aos cuidados do ministro do STF Celso de Mello e foi liberada com trechos importantes… Francamente, o que choca não deveria ser “palavões” de bolsonaro e ministros do seu (des)governo completo. São termos que escutamos diariamente e em vários lugares. Não vejo isto como o que derrubaria um governo. Político profissional sempre disse e dirá palavrões. Não percamos o foco central.

Primeiro: trata-se de um grupo de desqualificados para qualquer função no Estado. Uma gente despreparada, arrogante em sua ignorância e sem nenhum espírito público.

Segundo: uma gente ávida em uma cegueira liberal e completamente frios para a situação do povo (que elegeu esse presidente!!!).

Terceiro: a mentalidade de direita dessa gente torna-se grotesca. Eles não se entendem num estado, mas numa rede social privada em que polemizam como querem. Não são ministros ou presidente, mas num grupo privado num churrasco em que dizem o que querem. Tomemos como exemplo a curta e idiota fala do ministro da “educação”, onde se vitimiza e pede prisão para os ministros do STF… o que diz das populações indígenas é de uma indignidade sem tamanho. Um típico escroto dessa classe média horrenda.

Quarto: Não há um momento em que se pense num “projeto de Nação”. Não há um país a governar, mas uma casa a se arrumar. A palavra “povo” só aparece para legitimar um desonesto populismo rebaixado (andar numa padaria de Brasília ou numa feira é ser “popular, na boca desse presidente ilegítimo).

Quinto: bolsonaro quer todo o tempo liderar um grupo ministerial para “práticas terroristas”. É evidente aquilo que bem disse o jornalista Luiz Maklouf Carvalho em seu “O cadete e o capitão“: trata-se de um “terrorista” e não de um “estadista”.

Sexto: Pela repetição insistente do bolsonaro em “armar o povo” (entenda-se, milicianos a seu serviço) é uma afronta a todas as instituições (mesmo que capengas) democráticas e apresentada numa reunião que eles chamam de ministerial. É muito triste saber e ver uma coisa dessas.

Sétimo: estamos em plena pandemia, pessoas morrendo diariamente e eles falando em “economia”. O Covid-19 só aparece como apêndice do que eles entendem por “economia” e “mercado”.

Oitavo: bolsonaro é um golpista e instiga a prática golpista em seus ministros. Disse com todas as letras que não aceita o limite da lei e vai pra cima das instituições com as forças armadas. Para ele, as forças armadas não fazem o que a constituição regra, mas o que o presidente diz. Ser chefe supremo das forças armadas é fazer a sua vontade.

Estamos completamente a perigo. Temos dois momentos cômicos: quando Paulo Guedes diz que lê vários livros sobre a conjuntura econômica (tudo o que diz depois disto é o mais puro senso comum). E a fala da ministra Damares sobre a prisão dos prefeitos e governadores pelas medidas que tomaram diante do Covid-19. A fala dela é toda fakenews e fofocas… Só fiz rir aos montes da fala desta dupla. No mais, o momento é muito grave. Assustador. Desorientador… Atentemos!!!

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Romero Venâncio é professor do Departamento de Filosofia da Universidade Federal de Sergipe (UFS).

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