Alpendre poesia

Dois poemas de Matheus Felipo

[Fido Dido me deu uma voadora]

Fido Dido é viciado em mostarda
frequenta os mostardeiros anônimos.
que triste
mostarda acaba com a pessoa
a entristece, a entristece um pouco mais,
a entristece um pouco mais de novo

Fido Dido me deu uma voadora
agora eu sei:
faz diferença, numa briga,
pular e acertar o pé,
seja nas costas, peito, tórax.
a voadora me doeu
a história dos memes me doeu
a minha feiura me doeu
o meu doeu ficou corriqueiro
hoje o meu doeu não me doí mais

*

[discoteca]

você me diz que adora discoteca,
dançar ao som de qualquer DJ,
que sua música favorita
é ‘what is love’,
enquanto eu penso,
caindo em você, o globo espelhado,
criando vários hematomas em ti,
sangue, muito sangue,
a noite mais escura,
tudo que eu vejo é violeta,
a sua dor não é minha
dor

***

Matheus Felipo nasceu em 1986, em Presidente Prudente, interior de São Paulo. É formado em História pela Unesp. Escreve, tira fotos de bonecos e faz malabares como hobby. Tem textos publicados em várias revistas eletrônicas, entre elas: Ruído Manifesto, Abacana (de Portugal), Literatura e Fechadura e Plástico Bolha. ‘Fido Dido me deu uma voadora’ é seu primeiro livro de poesia a ser publicado pela editora Urutau, em 2020.

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