Alpendre poesia

Dois poemas de Raí Prado Morgado + Videopoemas

cidade dorme

a cidade reza para que encontre
o mês que mais gosta entre os doze:
o que entre todos te empresta
mais alegria do que as férias

os morros ao fundo da vista
se confundem entre o que seria ilha
continente de terra ou relevo
em tantos séculos moldados pelo vento

(há tempos não se vê as conchas
que às vezes te vêm ao redor:
ao lado assim
como quem diz:

o mar existe
a areia existe
o que não existe
é esse receio de errar de novo

o jeito de esquecer as coisas simples)

*

807A

toda hora passa um terminal campo limpo
menos quando a gente precisa
sonhei que te encontrava na barra funda
todos os dias da minha vida
hoje das conversas que ouvi na rua
cinco falavam em pandemia

parei numa esquina da santa cecília
para mastigar o movimento dos carros
e lamentei o cruzamento dos entregadores
de aplicativo com a avenida

não entendo como esse largo
tem tanto ambulante
tanto morador de rua
tanta velha indo pra missa

***

.

Raí Prado Morgado (Caraguatatuba, 1999) estudou Gestão Ambiental da ESALQ/USP, em Piracicaba. É membro do conselho editorial da revista Mallarmargens, da qual também é responsável pela gestão das redes sociais. Além disso, é o escritor responsável pelo Sob o Silêncio, projeto literário com mais de 50 mil seguidores, e expõe e vende itens artesanais do projeto em eventos culturais pelo estado de São Paulo. Tem poemas publicados nas revistas Subversa, Vício Velho, Mallarmargens, Suplemento Acre, Pixé e Ruído Manifesto, no Brasil, e pelo coletivo MásPoesia, na Argentina.

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