Colaboradores Cosme Rogério Ferreira

Três poemas de Cosme Rogério Ferreira + Videopoemas

Esmaecência

Quando chove no agreste,
mato seco esverdeia.

Quando a ideia clareia,
se tem a visão celeste.

Quando cai o sol, no oeste,
enternece meu olhar.

Quando paro pra pensar,
na viagem, vou-me embora.

Todo mundo, quando chora,
põe pra fora água do mar.

*

Sucresfera

Miro da janela
a monocultura da cana

No mundo só se enxerga cana
Monocana
Imenso mar-canavial
Monotonizando a paisagem

Negando
A dignidade e a força
Do braço que ergue a foice

E corta pro dono
Do engenho e da grana

Que o engana

E engrossa com sangue
O melaço da cana.

*

Coerências

As bocas que mais ofendem?
As que mais dizem: – Amém!

As que mais se solidarizam
são as mãos que nada têm.

***

Cosme Rogério Ferreira é ator, poeta, professor e produtor cultural.

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