Alagoas lide liquido

Impacto na cultura: Artistas relatam a suspensão de espetáculos e outras atividades em Alagoas

Foto: Reprodução

A pandemia da Covid-19 (“coronavírus”) gerou impactos em meio à situação econômica fragilizada em diversos segmentos. Para artistas, produtores, empresas de entretenimento e empreendedores culturais, que não têm previsão para retomar suas atividades, esses impactos se tornam um cenário desesperador e já são sentidos no dia a dia.

Integrante do QuilomBrothers Crew, grupo alagoano de breaking (dança de rua), o Bboy (o nome de quem pratica a dança de rua) e professor de dança Jessé Batista, 28 anos, contou à Arribação que o grupo estava com um projeto que havia sido aprovado pela Funarte em 2019 no edital “Descentrarte”. “Estávamos prestes a estrear o espetáculo ‘Da ponte pra cá’ que seria apresentado em Maceió, junto ao Sesc Alagoas, em um projeto chamado Sesc Temporadas. E realizaríamos uma circulação do mesmo espetáculo junto a uma oficina de mediação cultural em 4 escolas públicas na cidades de União dos Palmares”, relata Batista.

QuilomBrothers Crew. Foto: Divulgação.

Sobre as alternativas (lives, cursos online etc) encontradas por alguns artistas durante o isolamento, Jessé Batista, que é formado no Curso Técnico de Dança da Escola Técnica de Artes (Universidade Federal de Alagoas – UFAL) e pelo curso de Licenciatura em Dança também pela UFAL, comenta que, a principio, é possível pensar positivamente a respeito dessas alternativas.

“Mas de fato eu acredito que essa alternativa não seja de fato uma solução. Temos um grande problema com relação as pessoas irem aos teatros, espaços culturais, museus… Agora as pessoas estão recebendo tudo isso em excesso, via internet”.

O número de espetáculos cancelados ou suspensos por tempo indeterminado só aumenta. É o caso da Coxiar Produções, que até o momento já soma 15 apresentações canceladas. Segundo a diretora e produtora, Valéria Rodrigues, essa quantidade pode aumentar e chegar a 40, devido as datas comemorativas.

Coxiar Produções. Foto: Divulgação

Entre produções como “O Reino do Gelo”, “O sitio do Pica Pau Amarelo”, “Alice no País das Maravilhas” e “Show do Bita”, a produtora destaca a suspensão, ocorrida no dia 20/3, de uma apresentação no Teatro Deodoro que contaria com mais de 45 escolas agendas e diversas outras em cidades de Alagoas, que ocorreriam nos meses de março e abril. Segundo Valéria Rodrigues, somente na Coxiar, o impacto dessas suspensões e cancelamentos afeta diretamente a vida de cerca de 30 pessoas.

Situação similar também é relatada pela atriz e arte educadora Ticiane Simões. Integrante do Grupo de Teatro de Rua Joana Gajurú, a atriz conta que este ano o grupo completa 25 anos de fundação e as comemorações envolveriam um calendário de apresentações com um espetáculo em cartaz a cada três meses com o repertório do grupo. Em paralelo a isso, o Joana Gajurú entraria no processo de construção de uma nova montagem.

Grupo de Teatro de Rua Joana Gajurú. Foto: Divulgação


Simões relata que o grupo passou de um ano recheado de atividades e produções, para a incerteza de quando irão conseguir se encontrar no palco novamente. “Estava com um contrato de formação também, com o qual iria percorrer 12 cidades do país já a partir de agora, do mês de abril, e que devido as medidas de segurança e de contenção da covid19 precisou ser adiado para o segundo semestre”, lamentou.

Ticiane Simões também relatou a suspensão, por tempo indeterminado, das atividades do curso de Teatro da ONG Ateliê Ambrosina, no Pontal da Barra, que atende 15 alunas.

Para a atriz e professora de teatro, Aldine Souza, a pandemia pegou todos de surpresa, do segmento do teatro, a proprietários e professores de academias de dança e escolas de música, bem como segmentos como o gastronômico e turístico: “Acho que a gente só começou a entender um pouco a gravidade quando a gente se viu diante de uma situação que teríamos que fechar, pela segurança dos nossos alunos e professores”.

Produtora e proprietária do Centro de Pesquisas Cênicas (CEPEC), Aldine Souza afirma que o grupo teve que suspender a apresentação de “As casadas solteiras”, espetáculo de conclusão do Curso de Teatro Adulto. O espetáculo, uma livre adaptação de Plínio Marcos, ocorreria neste domingo (5), no Teatro de Arena.

Além de espetáculos suspensos, Souza relata que necessitou suspender as aulas de duas turmas de Teatro adulto, que tinham iniciado as aulas em março. Para não perder o ritmo de aprendizado, ela contou a Arribação que, como alternativa, propôs atividades para os alunos produzirem em casa, como monólogos. Assim que eles são estudados e interpretados pelos alunos, eles gravam no formato de vídeo e enviam para os professores, para receberem um feedback.

CEPEC com comédia alagoana “A Farsa da Boa Moça”. Foto: Divulgação.

Prestes a completar sete anos de existência, o CEPEC, que é dividido entre cursos livres de teatro, oficinas e a Cia. profissional, aguarda a passagem da pandemia do covid-19 e se prepara para o recomeço de suas atividades: “Vai ser um recomeço mesmo, porque pode ser que existam matrículas que sejam canceladas, pode ser que existam novas matrículas… A gente não sabe como é que vai ser. Inclusive já estamos buscando caminhos”.

Em entrevista via whatsapp, a atriz enfatiza: “Realmente é um recomeço, porque não iremos retomar as nossas rotinas como elas eram antes. Tudo vai ser modificado e nós estamos muito preparados para o que possa acontecer, tanto na nossa empresa quanto na nossa vida pessoal”.

E continua: “Como nós somos artistas e nós estamos muito acostumados a levar “baque”, recomeçar e levar baque e recomeçar… Então a gente está levando isso como mais um baque e nós iremos, sim, recomeçar. Até porque nós precisamos. É um segmento que não é fácil manter”, reflete a atriz.

1 comentário em “Impacto na cultura: Artistas relatam a suspensão de espetáculos e outras atividades em Alagoas

%d blogueiros gostam disto: