Alpendre poesia

Dois poemas de Hang Ferrero

Pitada

é sempre por entre os ecos que amo.
pouca luz, silêncio, sombras virtuosas.
é sempre a cúrcuma que me tempera.
sopro um balé anasalado e assanho
a dança do fogo; são segredos da vela.
aperto os olhos por uns três instantes,
abro-os feito espasmo, o mais rápido
que posso e tenho assim, raízes de sol.
por ser sempre amor, eu só troco o chão
por poesia e voo com quem ama.
crio chuva com o pólen das abelhas,
visto o amor da bonita roupa feita
pela velha aranha fiandeira,
que tece um mundo todo enquanto vive.
esta coisa que grita prosa em mim
e me lambuza de vida, parece querer
sempre exagerar em 50 anos luz
e mais duas porções para cair do prato.

é sempre por entre os ecos que amo.

*

O senhor das chuvas

os dias tem transcorrido sob a batuta da suavidade. pedro, o senhor das chuvas, tem manifestado alegorias defronte à nossa janela. sabemos ser coisa dele por conta do presente que nos confiou: a coisa do vislumbre; seres alados cantantes, redemoinhos bem coreografados e folhinhas cintilantes, mesmo à pouca luz dos dias cinzentos; um mimo cravado nas nossas retinas. por isso a euforia, aparenta solitária, mas a ideia é de contágio. parecemos bobos mas, por sermos vistos, divertidos, na chuva. tem sido coisa bem nossa. é que, quando em casa, temos a janela de pedro.

***

Hang Ferrero é escritor, poeta e produtor. Autor dos livros: “Aos Pés do Monte Mor” (poesia), lançado em 2013 e “Código 1 – Crônicas de Plantão”, em 2016. É co-fundador e coordenador do Grupo de Escritores Verbo e Maresia (2014) e apresentador do Festival 6 Continentes (o maior Festival de Artes Integradas de Língua Lusófona do Mundo) (2015, 2016, 2017, 2018). É membro Correspondente Internacional da Academia de Letras do Brasil/Suíça e da Academia de Letras de Balneário Camboriú. Em 2018 e 2019 recebeu o Troféu “Orgulho Catarinense” do Prêmio Homens e Mulheres Que Brilham no Sul do País.

4 comentários em “Dois poemas de Hang Ferrero

  1. Agradeço imenso, a extraordinária oportunidade junto ao meu trabalho. Agradeço a leitura e a generosidade.

  2. Pingback: Dois poemas de Hang Ferrero — Arribação | O Ponto Afinal

  3. Belos textos! Parabéns!

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