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Nona edição do Xangô Rezado Alto celebra cultura e religiosidade afro na Orla de Maceió

Na noite de 1º de fevereiro de 1912 um episódio de violência e intolerância marcou a história de Alagoas e que ficou conhecido como “Quebra de Xangô”.

Cerca de 150 casas de culto de matriz africana celebravam o Dia de Iemanjá quando foram atacados pela Liga dos Republicanos Combatentes, agremiação política que fazia oposição ao governador da época, Euclides Malta.

Essa milícia destruiu objetos sagrados e as invasões, espancamentos e prisões aos praticantes de candomblé, umbanda e outros cultos durou até a madrugada de 2 de fevereiro.

Participantes da nona edição do Xangô Rezado Alto. Foto: Sousandré

Para lembrar da data e evitar que ações como essa voltem a acontecer, a Prefeitura de Maceió realiza o Xangô Rezado Alto. Em sua nona edição, o evento aconteceu neste domingo (2), na orla da capital.

O evento reuniu grupos tradicionais de matriz africana para protestar contra a discriminação e a intolerância e exigir liberdade de manifestação cultural e religiosa.

O evento é coordenado pela Fundação Municipal de Ação Cultural (Fmac) desde 2013 e, nesta edição, contou com um cortejo que reuniu cinco grupos culturais que, por volta das 16h, percorreu a rua fechada até o palco montado na Feirinha do Artesanato da Pajuçara.

Banda Afro Dendê iniciando o cortejo do Xangô Rezado Alto. Foto: Sousandré

A frente de honra foi composta por Pai Célio, Mãe Mirian e Amaurício de Jesus, Coordenador de Políticas Culturais da FMAC. Amaurício iniciou a sua fala comentando sobre a alegria de ver mais uma vez a celebração em memória do Xangô Rezado Alto.

Publico observando Mãe Mirian, Pai Célio e Amaurício de Jesus no palco do Xangô Rezado Alto. Foto: Sousandré

Segundo ele, que é membro da Casa de Iemanjá, essa celebração representa a resistência do povo de terreiro: “o povo de terreiro pode ocupar qualquer lugar, seja na periferia, no centro, na praia, aonde ele quiser. Todos temos direitos e a comunidade tradicional de matriz africana também”, pontuou.

Amaurício também ressaltou sobre a importância dos grupos culturais que participaram do cortejo: “A felicidade se torna maior quando a gente vem pra cá assistir grupos culturais que surgem a partir do saber tradicional, que trazem o conhecimento que está dentro das casas de axé para o espaço público para ser reconhecido atividade e manifestação cultural”.

Apresentação do Afoxé Povo de Exu. Foto: Sousandré

Participaram do cortejo: Maracatu Baque Alagoano, Afro Zumbi, Afro afoxé, Afro Dendê e Coletivo Afro Caeté. No palco se apresentaram: Afoxé Povo de Exu (foto), Cia de Teatro e Dança Aiê Orum, Samba de Roda K’ Posú Betá, Afoxé Odo Iyá, Afoxé Ofá Omim e Maracatu Raizes da Tradição.

Documentário

Lançado em 2007, o documentário “1912 – O Quebra de Xangô”, do antropólogo e fotógrafo Siloé Amorim, retrata um dos mais terríveis golpes para a cultura negra em Alagoas, fato que aconteceu em em dois de fevereiro de 1912.

Por meio de depoimentos de antropólogos, historiadores, negros, pais e mães-de-santo e membros do Movimento Negro em Alagoas, o documentário transita pela história das perseguições aos terreiros de xangô em Alagoas no início do século 20.

“1912 – O Quebra de Xangô” tem 53 minutos e foi realizado pelo DOC TV Alagoas em Cena: Instituto Zumbi dos Palmares e Governo de alagoas.

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