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Primeira edição do FIC Pop – Festival Independente de Cultura Popular

Durante os dias 7 e 8 de dezembro, Maceió recebeu a primeira edição do FIC Pop – Festival Independente de Cultura Popular, realizado no Corredor Vera Arruda, no Bairro da Jatiúca.

O festival nasceu com o objetivo de homenagear a cultura popular local e abrir espaço para novos artistas, produtores e expositores divulgarem e comercializarem os seus trabalhos.

Segundo Kemesson Lemos, um dos organizadores e idealizadores do festival, a ideia surgiu há cerca de um ano. “O FIC Pop foi uma ideia não só nossa de Maceió, mas de amigos de Recife. A gente teve a ideia de montar espetáculos de rua, um festival de rua que ocorresse tanto em Maceió quanto em Recife. A primeira edição está ocorrendo agora e a intenção de fato é agregar expositores, artistas e fazer uma conexão entre as duas cidades”.

A programação do evento contou com palestras, mesa redonda sobre A Música Autoral Alagoana, cinco oficinas, cerca de dez atrações musicais e mais de vinte expositores de acessórios, roupas, itens decorativos, artesanato e muito mais.

Público da primeira noite do FIC Pop. Foto: Sousandré

Estiveram presentes as marcas criativas MM Doces, Cooking cookies, Alfajor Arretado, Dona Maria Acessórios, Ancoradouro store, Ela Ribeiro, Eva da Terra Bem Orgânicos, Bamboo Aromas e Terapias, JBF Informática, Boju – Bottons da Ju, Café Caramello Maceió, entre outras.

Para o músico e compositor Rodrigo Avelino, “é muito importante ver tudo isso acontecendo, as pessoas comparecendo a um evento que fala da arte alagoana, não apenas da música. Temos aqui vários empreendedores, a galera das artes manuais, e que está mostrando o seu trabalho. Muito bom! E que isso possa acontecer mais vezes”, afirmou com entusiasmo.

Entre as oficinas, destaque para a de Bordado a mão livre, com Raianny Yulle, Customização de roupas, com Wanddersson Drummond e Fotos e vídeos que engajam, com Berg Dantas.

Berg Dantas durante a oficina Fotos e vídeos que engajam.
Foto: Sousandré

O primeiro dia iniciou com atraso na programação devido à problemas na rede elétrica. Por volta das 16h, mesmo sem energia elétrica e uma previsão de uma resolução da situação por parte da Companhia Elétrica, os organizadores do FIC deram o ponto de partida para a Oficina de bordado, ministrado pela estudante de Produção de Moda, Raianny Yulle.

Avaliando a primeira edição como muito boa, Kemesson desabafa que “a única decepção foi que a Equatorial, que é a empresa responsável pela energia, não veio ligar a energia. A gente pagou a taxa, tudo certinho, e eles não vieram. Mas fora isso eu considero a primeira edição muito positiva”.

A energia elétrica passou a funcionar por volta das 17:30, enquanto o público chegava ainda timidamente e se acomodava nos pallets dispostos a frente do palco para assistir a palestra de abertura, que ficou por conta do escritor alagoano Guilherme Ramos. Autor de obras como “Matheus Errante, Matheus Brincante”, de 2015, “Minha fúria e Outros Demônios” e “Estrela Raivosa”, lançados em 2016 e 2017, respectivamente, debateu sobre Literatura alagoana e escrita criativa.

Kemesson Lemos, Felipe Guimarães e Guilherme Ramos no primeiro dia do FIC Pop. Foto: Sousandré

Em seguida, Felipe Guimarães, sócio-diretor da La Ursa Cinematográfica, produtora e primeira distribuidora alagoana de filmes, trouxe reflexões sobre o mercado e as perspectivas para a Produção audiovisual em Alagoas.

Após a palestra veio um dos momentos mais aguardados pelo público, com as apresentações culturais. Em formato de pocket show, revezaram-se no palco Robson Cavalcante, Victor Moura, Elisa Lemos, May Honorato e Rodrigo Avelino, entre outros.

O segundo dia do FIC iniciou com uma oficina sobre Sonorização, ministrada por Alessandro Honório, da Sonora Áudio Pro, seguido de palestra sobre o dinamismo e estratégias para entender e adentrar o Mercado da Música, com o produtor musical Yan Azevedo (Yan Rec).

Dimas Marques, do Blog Alagoas Musical, ao centro.

Já era noite de domingo quando o historiador Dimas Marques, do Blog Alagoas Musical, subiu ao palco para debater sobre os seus percursos e desafios para registrar a cena musical alagoana.

Ponto alto da noite, a mesa redonda sobre a cena autoral musical de alagoas foi mediada pelo músico e compositor Júnior Almeida. Participaram Kemesson Lemos,  Rodrigo Avelino, Robson Cavalcante, Loreb e May Honorato. Na mesa redonda os compositores compartilharam seus respectivos processos criativos, os caminhos das canções e dialogaram sobre a produção de seus trabalhos mais recentes.

Rodrigo Avelino, Júnior de Almeida, May Honorato, Loreb, Robson Cavalcante e Kemesson Lemos.

O mote da conversa veio com a pergunta inicial de Júnior de Almeida: Por que ser compositor?

Para a cantora e compositora May Honorato, suas composições começaram a nascer de uma forma muito natural, ainda na adolescência.

“Eu não pensava ainda no porquê de compor. Eu comecei a compor na adolescência, mas depois foi se formando na minha cabeça um motivo, uma razão muito forte, uma angústia com o tempo, com a efemeridade das coisas. Eu sinto que escrever, que compor e dividir o que você consegue fazer, que você constrói sozinho as vezes, ou em parceria com alguém que você gosta muito, é uma forma de você conseguir ficar, conseguir permanecer. Foi por isso que eu comecei a compor”

May Honorato e Rodrigo Avelino

Sobre a importância dessa mesa redonda, Rodrigo Avelino reflete que ela é uma forma de fortalecer a música alagoana: “É como eu falei no final: é bom ver todo mundo aqui, participando, fortalecendo essa caminhada. Só amigos na mesa, cada um falando a sua experiência de como foi produzir o seu trabalho, a forma como surge a composição para cada um. É bacana demais a gente perceber isso e trazer um pouco do trabalho deles para o nosso trabalho também”.

Logo após a palestra foi a vez do Projeto Street Jazz, do Centro de Educação Musical de Performance (CEMUP), fazer a sua apresentação de estreia, arrancando aplausos e elogios do público. Oriundo do quarteto Jassbozz, o grupo é formado por Kemesson Lemos (piano), Sandro Gomes (guitarra), Jamersson Moura (Violão), Júnior Holanda (baixo) e Maglione Santos (bateria). A apresentação do Street Jazz também contou com a participação da cantora Christiane Lins, que cantou “Meu bem, meu mal”, música de Caetano Veloso.

Laboratório de Performance Musical, da Universidade Federal de Alagoas. Foto: Sousandré

O encerramento ficou por conta do Laboratório de Performance Musical (LP Musical), projeto formado por docentes e discentes do Curso de Música da Universidade Federal de Alagoas (UFAL). Segundo Nilson Fireman, o LP Musical foi criado no primeiro semestre de 2016 e tem como proposta experimentar materiais sonoros e incentivar a criação e produção musical dos estudantes do curso. Integram o LP Musical Thiago Celmir (Guitarra), Marco Aurélio (Piano), Maglione Santos (bateria) e Nilson Fireman (baixo).

A segunda edição do FIC Pop está prevista para ocorre em março de 2020, antes de seguir para Recife.

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