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Cia Aiê Orum apresenta Afrobrasilidade no Projeto Vamos Subir a Serra

Apresentação da Cia. Aiê Orum no Projeto Vamos Subir a Serra, no dia 17/10. Foto: Sousandré

O terceiro dia do Projeto Vamos Subir a Serra contou com apresentações culturais marcantes e que encantaram o público na Praça Multi Eventos. Era pouco mais de 15:20 quando a Companhia de Teatro e Dança Afro Aiê Orum pediu passagem para apresentar trechos do espetáculo Afrobrasilidade. E o público atendeu muito bem ao chamado, mantendo os olhos atentos durante toda a apresentação, que homenageou as danças de orixás tais como Obulaiê, Oxum e Iansã.

Construído por meio de pesquisas e vivências sobre danças afro, o espetáculo começou a ser desenvolvido em meados de março de 2019 e teve sua estreia no dia 25 de outubro, no Centro Cultural Arte Pajuçara. O elenco é formado por alunos e alunas do Curso de Dança Afro brasileira, realizado no Complexo do Teatro Deodoro (Maceió-AL) e ministrado pelo Coreógrafo e Produtor Cultural Diego, Bernardes Ayraiberu.

Além da apresentação de estreia, o espetáculo também foi apresentado no palco do Teatro Deodoro, nas comemorações dos 109 anos do teatro. Na ocasião, a Cia contou com a participação de estudantes de escolas da rede pública.

De acordo com Diego, a Cia. Aiê Orum “foi criada em 2009 com a intenção de trabalhar a dramaturgia negra, não só no teatro, mas também na dança; trazendo como ferramenta de empoderamento para jovens”. O coreógrafo lembra que desde o início da companhia e das aulas do Curso de Dança Afro Brasileira, percebia a falta de identidade dos jovens.

“Eles não sabiam se eram negros, morenos, pardos, brancos, índios. E através dessas instrumentações da dramaturgia do teatro e com a dança a gente consegue, através de pesquisas, debates e trocas de conversas, trazer as vivências tanto dos terreiros, das casas de matrizes africana, como também do nosso cotidiano, sobre as dificuldades que a gente encontra numa sociedade desigual”, afirmou.

Com dez anos de atuação na cena cultural alagoana, a Cia. Aiê Orum desenvolve um trabalho contínuo de dar visibilidade, valorizar e empoderar a história e a cultura afro em um processo de desmistificação e disseminação desses saberes em áreas periféricas e quilombolas.

E não para por aí. Seguindo as comemorações de dez anos da companhia, o grupo organizará uma exposição fotográfica e está montando um novo espetáculo, com previsão de estreia para o primeiro semestre do próximo ano e tem como título “Raça negra: manifesto, resistência e luta”.

“É um espetáculo com uma pegada, um manifesto mais político, no qual a gente aborda o assassinato de jovens negros. A cada 10 jovens, 7 são assassinados. E são assassinados pela polícia. Entre outras dificuldades que a gente encontra em nossa sociedade com relação à raça”, comentou.

Sobre a participação do grupo no Projeto Vamos Subir a Serra, Diego comentou que para a Cia Aiê Orum é muito importante ocupar espaços como o promovido pelo evento. Relembrando que a apresentação da companhia no Teatro Deodoro, destacou que se tratava do único grupo de arte negra na programação, o coreógrafo pontua que se trata de uma militância:

“a gente levanta a nossa bandeira dessa maneira, através da arte e ocupando esses espaços. Dizendo: a gente está presente, a gente está vivo. Vidas negras importam!”

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