Alpendre poesia

Três poemas de Sophia de Mello Breyner Andresen

Sophia de Mello Breyner Andresen. Foto: Reprodução.

Sophia de Mello Breyner Andresen nasceu em 7 de novembro de 1919, no Porto, Portugal. Sua obra, que inclui poemas, contos, livros infantis e ensaios, recebeu inúmeros prêmios, como o Camões (1999) e o Reina Sofía (2004). Entre suas obras estão Livro Sexto, O búzio de cós e outros poemas, A fada oriana, O rapaz de bronze, Dia do mar, Histórias da terra e do mar, entre outros. Toda sua poesia foi reunida em Portugal no volume Obra poética (Assírio & Alvim, 2015). Faleceu em 2004.


Três poemas de Sophia de Mello Breyner Andresen:

Destruição

Exausta fujo às arenas do puro intolerável
Os deuses da destruição sentaram-se ao meu lado
A cidade onde habito é rica de desastres
Embora exista a praia lisa que sonhei

O poema

O poema me levará no tempo
Quando eu já não for eu
E passarei sozinha
Entre as mãos de quem lê

O poema alguém o dirá
Às searas

Sua passagem se confundirá
Com o rumor do mar com o passar do vento

O poema habitará
O espaço mais concreto e mais atento

No ar claro nas tardes transparentes
Suas sílabas redondas

(Ó antigas ó longas
Eternas tardes lisas)

Mesmo que eu morra o poema encontrará
Uma praia onde quebrar as suas ondas

E entre quatro paredes densas
De funda e devorada solidão
Alguém seu próprio ser confundirá
Com o poema no tempo

Exílio

Quando a pátria que temos não a temos
Perdida por silêncio e por renúncia
Até a voz do mar se torna exílio
E a luz que nos rodeia é como grades

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