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Cordel do fogo encantado encerra a 10º Festa Literária de Marechal Deodoro

Foto: Cosme Rogério

Na noite de ontem (2), o vocalista Lirinha ainda nem tinha invocado a chuva e, cerca de quarenta minutos antes do show do Cordel do Fogo Encantado, chovia em Marechal Deodoro (AL).

Nada que desanimasse o público, que se abrigou em grande parte no Museu de Arte Sacra e, no primeiro sinal de estiagem, correu de volta para frente do palco, procurando o melhor lugar para apreciar o espetáculo. “A chuva serviu para afastar o calor”, alguns comentavam. Com temperatura mais amena, em poucos minutos a frente do Complexo do Convento Franciscano estava tomada pelo público.

Já com céu aberto, passava um pouco mais das 21h quando Clayton Barros (violão), Emerson Calado (percussão e voz), Lira (vocal), Nego Henrique (percussão e vocal), Rafael Almeida (percussão e vocal) e Gabi da Pele Preta (vocal), uma das convidadas para acompanhar o quinteto na turnê; subiram ao palco, para o delírio de uma multidão.

Com forte presença de iluminação e projeções de efeitos visuais num telão ao fundo do palco, em um pouco mais de uma hora de apresentação a banda apresentou músicas do trabalho mais recente, Viagem ao coração do sol (lançado em 2018), e dos primeiros álbuns.

Lirinha. Foto: Cosme Rogério

A música de abertura foi Raiar ou o Vingador da solidão, que parecem dar a tônica do retorno da banda em 2017: “Volto pra casa na tempestade // Carrego folhas, canto na rua // Sou um coração sem medo […] Mais um vingador da solidão // Vou na hora certa de raiar, raiar”.

Por volta da metade do show, Lirinha anunciou a música Conceição ou Do Tambor Que Se Chama Esperança, dedicada a vereadora Marielle Franco, assassinada em 14 de março de 2018, no Rio de Janeiro: “Conceição // Ninguém apaga a tua história // Escrita por tuas guerreiras // Na tinta negra da memória”. Após a música o público se manifestou contra o Presidente da República, Jair Bolsonaro.

A poesia Ai se cesse, de Zé da Luz ( Severino de Andrade Silva, poeta paraibano) não poderia faltar, com Lirinha recitando junto ao público. Presença cativa no repertório, foram executadas também as músicas Antes dos Mouros, Poeira (ou Tambores do Vento que Vem), Os Oim do Meu Amor, Boi luzeiro, Catingueira, Morte e Vida Stanley, e, claro, Chover (ou Invocação Para Um Dia Líquido), que colocou o público da FLIMAR numa catarse sem fim.

A energia hipnótica e a dinâmica da performance do Cordel nem de longe faz lembrar que algum dia a banda interrompeu as atividades. Os dois “bis” bem que podiam ter sido duplicados. O público não iria se incomodar.

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