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Pedro Salvador lança seu segundo disco em noite de psicodelia e improviso no Zeppelin

Com mais de dez anos de carreira, cinco EP’s e um álbum lançado, Pedro Salvador é um músico multi-instrumentista e compositor alagoano. Na última sexta-feira (25/10) ocorreu o lançamento de seu segundo álbum no Bar e Restaurante Zeppelin, com direito a casa cheia. Participaram da apresentação os músicos Christophe Lima (vocal), Emerson Padilha (baixo), Júlia Soares (guitarra), Jr. Bocão (Steel guitar), Leo Bulhões (percussão) e Reuel Albuquerque (guitarra). Nesse show, Pedro Salvador assumiu as baquetas e backing vocals. Perguntado se nas próximas apresentações ele irá continuar tocando bateria, Pedro afirmou que isso dependerá da disponibilidade dos integrantes da banda. “Se for necessário, mudamos de formação. Gosto que a banda seja assim, mutante, maleável”, comentou.

Foto: Sousandré

Ao som de muita psicodelia, jazz rock e improvisação, o show do sexteto iniciou às 23:27, logo após a apresentação da banda Eek, e durou cerca de 41 minutos. O repertório seguiu de perto o as músicas do disco, abrindo com a faixa Flores Mortas, que ao vivo ganha um toque de samba rock psicodélico. A letra constrói uma geografia desnorteante: “As flores mortas do sul da América crescem mais alto aqui // tanto faz se for no sol // tanto faz se for na chuva // a certeza é a tontura […] // Nesses tempos tão incertos, onde o sonho desvanece”. A segunda música, As palavras, tem uma pegada mais hard rock, com riffs marcados e com espaço para muito improviso. “As pessoas dizem coisas por aí // As palavras são o meio e o fim // […] Se foi dito agora é algo mais // As palavras são suaves e fatais”. A música escolhida para o encerramento foi a longa faixa O Caos Rastejante (no disco a faixa conta com 10:59 de duração), cuja letra fala sobre um cenário apocalíptico: “Fumaça, fogo, brasa e coisa e tal // Coisa brilhante, olho de animal // Bala de prata, ximbra de metal // Apontam o final”. A energia da banda contagiou o público, imersos no universo sonoro criado pelos músicos e pelas letras de Pedro Salvador.

O álbum:

Com referências sonoras que vão da psicodelia ao jazz-rock, krautrock, passando por música africana e brasileira, o álbum “Pedro Salvador e O Caos Rastejante” foi lançado pela Abraxas em parceria com o selo Voragem e começou a ser gravado no estúdio Mata, em Niterói, por Mateus Ullmann. As gravações das seis faixas que compõe o disco começaram no dia 12 de junho de 2018. Sobre o processo de produção do álbum, Pedro Salvador afirma que passou “uma temporada no Rio de Janeiro com algumas ideias de composição debaixo do braço. Durante o processo de ensaios com a banda que chamaríamos de Caos Rastejante (Rodrigo Toscano, Vicente Barroso e Paulo Emmery), as músicas foram se desenvolvendo e se completando, naturalmente formando o repertório do disco”.
A banda (o Caos Rastejante) foi formada por Rodrigo Toscano (baixo, da Psilocibina), Paulo Emmery (guitarra, da Auramental, da Balbela e dos Beach Combers) e Vicente Barroso (bateria, da Auramental, da Balbela e dos Lunares).
No Rio de Janeiro foram gravados, no formato ao vivo, baixo, bateria e guitarra e, em seguida, no Valor Arte (Rio de Janeiro), a guitarra de Paulo Emmery, gravada por Vicente Barroso. Em Maceió, Pedro gravou as vozes no Caverna, bandolim, violão e teclados em seu home studio e Ana Galganni (Divina Supernova) gravou sua flauta no home studio do Divina Supernova. Pedro, em parceria com Alex Sheeny (da banda Psilocibina) assina a mixagem, que também masterizou o disco.
Com todas as composições e arranjos assinados por Pedro Salvador, o álbum conta também com participações especiais de Ana Galganni (Divina Supernova), tocando flauta na faixa “O Caos Rastejante”, Bruno Palagani (Cai Dentro e projeto Guitarra Alagoana), tocando bandolim em “Flores Mortas”e Thiago Alef (Necro), tocando violão em “Martírios”, quinta faixa do disco. Completam as participações um coro que aparece em duas faixas, “As Palavras” e “O Caos Rastejante”, composto por Natalhinha Marinho, Julia Soares, Reuel Albuquerque, Thiago Alef, Thame Ferreira, Magda Braz, Flaviane Monteiro e Lara Melro.


A capa do álbum consiste num registro feito pelo próprio Pedro Salvador numa de suas passagens pelo Rio de Janeiro, no período em que o multi-instrumentista alagoano ensaiava e gravava as músicas do álbum “Pedro Salvador e o Caos Rastejante“. Segundo o músico, “esse é o centro do Rio em alguma madrugada de junho. Os centros das capitais brasileiras são bem parecidos: desertos, sujos, decadentes, e ao mesmo tempo um lar para muita gente. Isso me dava uma sensação de familiaridade, de me sentir em casa (moro nas imediações do centro de Maceió e a paisagem é a mesma). Gosto dessas localidades e desses horários abandonados pela fauna humana diurna. É como se as cidades abrissem um portal para uma realidade paralela onde todas as cidades são as mesmas, onde o irreal se materializa, onde o caos rasteja para fora das sombras”.
O álbum “Pedro Salvador e O Caos Rastejante” está disponível nas principais plataformas digitais (Spotify, Deezer, Youtube, Bandcamp etc).

Trajetória:

O músico alagoano já passou por diversos projetos, tais como as bandas Mente Profana, Canela Seca, Messias Elétrico e Jude. Atualmente Pedro integra o projeto instrumental Guitarra Alagoana, junto com Bruno Palagani e a banda Necro, com a qual lançou 3 discos, tanto em selos do Brasil, quanto dos Estados Unidos e mesmo da Europa (Hydro-Phonic, Electric Magic, Abraxas e Baratos Afins). O mais recente lançamento foi o EP “Pra Tomar Chá”, lançado em 2019. Pedro também lançou dois discos com a Messias Elétrico, pela gravadora Baratos Afins e colaborou nos lançamentos solo de Lillian Lessa (Necro): o EP Expresso (2015) e o álbum “Utopia” (2018). Além disso, o músico também participou de uma faixa do álbum “Enquanto não durmo o dia é o mesmo” (2016) de Melinna (da banda Oldscratch) e tocou em algumas faixas da trilogia de discos “Origem” de Alessandro Aru (que tocou na Messias Elétrico, na Mopho e na Canela Seca). .
Paralelamente a tudo isso, Pedro vem desenvolvendo seu trabalho solo, que já conta com cinco EP’s e dois álbuns (“Pedro Salvador”, de 2017 e “Pedro Salvador e O Caos Rastejante”, de 2019) lançados.

Foto: Magda Braz

Discografia de Pedro Salvador:

Álbuns

“Pedro Salvador” (2017)
“Pedro Salvador e o Caos Rastejante” (2019)

EP’s

“Psiconauta” (2015)
“Guerra” (2016)
“Distopia Brasileira” (2017)
“Objetos no Céu” (2018)
“Glitch Witch” (2019).

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