Alpendre poesia

Tardes e Cíclope, de Karin Krogh

Tardes

Deixo as tardes
Penduradas em seus ombros
Fazemos um sexo restrito
A quatro ângulos retos
E mantemos os sons contidos
Na garganta
Tudo é silêncio no calor
Q invade o colchão
É um sexo de olhos abertos
Desafiando
Quem irá desistir primeiro
Ele perde e comemora
Eu descanso
Satisfeita da vitória.

Cíclope

Os olhos cada vez mais juntos
As rugas acima contraem a pele
Aproxima-os dia a dia
Até tornar-se ciclope
Primitivo
Volta-se ao que foi
Renasce fatal, obscuro
E assim busca a caverna
Adquire uma força brutal
Pronto à caça
Ele é puro fogo
Destrói-se em cinzas
Na mais pura doçura melancólica
Resguarda o único olho
Em pálpebras fechadas
Este ser sumário
Como se dormisse
Por cima das lavas
O próprio demônio
Aquele q regride
O esquerdo maldito.

***

.

Karin Krogh é doutora em Bioquímica (USP), mestre em Biologia Molecular e Celular (USP), bacharel em Farmácia-bioquímica (UFMA). Apaixonada pelo mundo das palavras, mergulhou de cabeça na literatura. Hoje, é contadora de histórias, mediadora de leitura, formadora de professores, escritora de livros infantis e poeta. É autora das seguintes obras: Dondila e Jurema (Giostrinho), Mãe é mãe (Bamboozinho) e Insídia (Editora Patuá).

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