Ensaio

Vibrações de um instrumentista, compositor e pesquisador da música brasileira

“Jacob foi um dos maiores instrumentistas da música popular brasileira. Possuidor de técnica assombrosa, juntava a esta uma sensibilidade de verdadeiro artista. Profundo conhecedor da música instrumental brasileira, seu repertório era imenso e ia desde os clássicos populares até os choros e valsas que ele mesmo compunha, dentro das formas tradicionais do nosso populário.” (Lúcio Rangel – Correio da Manhã – 14/08/69)

Há 50 anos falecia Jacob Pick Bittencourt, o Jacob do Bandolim. Nascido em 14/02/1918, no Rio de Janeiro, foi um músico autodidata responsável da modernização do choro na música brasileira e compositor de preciosidades tais como Noites Cariocas, Doce de Coco e Vibrações.

Com influências de Ernesto Nazareth, Pixinguinha e tantos outros, de suas mais de 100 composições, 57 são choros e o restante de seu repertório é marcado por valsas, sambas e polcas. De acordo com o jornalista Gonçalo Júnior, autor da biografia Um Coração Que Chora, Jacob do Bandolim modernizou o choro ao introduzir de outros instrumentos não usuais no gênero, como acordeom, flauta e vibrafone.

Pesquisador da música brasileira

Compositor, instrumentista premiado (Em 1954, foi premiado como melhor solista no 1º Festival Brasileiro do Disco, promovido pelos Diários Associados, e, em 1961, ganhou como melhor solista popular o Prêmio Cidade de São Sebastião do Rio de Janeiro) e pesquisador.

Em site dedicado a sua vida e obra, destaca-se também a sua verve de pesquisador da música brasileira, em especial, do choro. No tópico “O arquivo do Jacob“, o site afirma que o instrumentista é “responsável pelo resgate e preservação da obra Ernesto Nazareth, João Pernambuco”, entre outros.

Em 1974, o resultado dessa pesquisa (discos de 78 rpm e LP’s, partituras, correspondências, fotografias, matérias jornalísticas etc) foi comprado pela Companhia Sousa Cruz e incorporado ao acervo do MIS (Museu da Imagem e do Som), no Rio de Janeiro.

Em agosto de 2014, o Instituto Jacob do Bandolim disponibilizou ao MIS-RJ um acervo de 1.500 documentos digitalizados, entre fotos, cartas e partituras; catálogo com o detalhamento do conteúdo dos 122 rolos magnéticos da coleção de Jacob, além de 5.366 arquivos de áudio etc.

“Jacob tornou-se um bem patrimonial que, feito mangueira frondosa, atirou suas ramas para além dos quintais brasileiros. Fecundou sementes por esse mundão afora, e é por lá que se ouvem o Noites Cariocas, o Doce de Coco, o Vibrações – além de tudo aquilo que seu bandolim apossou como seu. Porque Jacob era assim: um Pixinguinha ou Anacleto, um Tom Jobim ou Nazareth ganhavam nova identidade por meio da sonoridade e das inflexões que seu mágico bandolim imprimia àquilo tudo que ele tocava – e tocar tem, aí, um sentido mágico, sublime, divinal”

(Hermínio Bello de Carvalho)

Época de Ouro

De acordo com o Dicionário Cravo Albin da Música Popular Brasileira, o Época de Ouro é um Conjunto instrumental esboçado por Jacob do Bandolim em princípio dos anos 1960, definitivamente organizado em 1966 e que teve grande importância no movimento de resistência do choro na década de 1960, época em que a bossa nova imperava nos meios de comunicação.

Com Dino 7 Cordas, César Faria e Carlos Leite (violões), Jonas Silva (cavaquinho) e Gilberto D’Avila (pandeiro) gravou os LP`s “Chorinhos e Chorões” (1961), “Primas e Bordões” (1962) e, em 1966, com o nome de Conjunto Época de Ouro, gravou o LP “Vibrações (1967), com a participação de Jorge Jose da Silva, o “Jorginho do Pandeiro” e considerado por muitos músicos um marco na trajetória e na organização do conjunto regional.

Destaque para o lendário show com Elizeth Cardoso e o Zimbo Trio, no Teatro João Caetano (1968), promovido pelo Museu da Imagem e do Som, gravado ao vivo e lançado em dois LPs pelo próprio MIS, produzidos por Ricardo Cravo Albin.

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