Alpendre poesia

Dois poemas de Dylla Vicente

ENTREOLHAR

É-se polifônico e desflora toda forma d’Amar…
Tu vens, sob o infindável despir boreal,
Entreolhar e ficar
Entreolhando aquele aceno;
Que desfaz em pena,
Que rompe mui distância…
É-me desvelado, romã… desvozeado,
Mais sonoro que a elegância dos pássaros,
Mais breve que o cultivo das flores à beleza irremediável
por um amor tão breve, tão triste.

ASAS

És minucioso ser…
De estrofes singelas e algures distantes.
Pergunto-me: como são feitos estes dias?
Que perpassam em vestes os corações do abismo,
Que se vulgarizam nas colorações de invernos outonais,
Quando pelos montes afogamos nos lírios,
Nas paisagens tumultuosas que me fazem…

Eu sou…
A palavra esculpida nas vírgulas benditas,
na paráfrase deste corpo de letras clandestinas.

Tu és…
Um sentido dolorido metafórico,
de tétricas palavras que me calou e cala-me cada dia mais…

És feito de paraísos, de parágrafos,
de linhas rebuscadas, de sonoridade e paixão…
Ah, paixão! Que domaste este corpo ausente de coloração
E quiçá um dia amar-te… Sem melodias!

Como pétalas d’outrora me inundava, amor…

Um amor e uma solidão, tal como em datas
Que marcam uma breve e surda estação.
Assim, fora este amor…
Que sobre a primavera não colherá as flores,
Não amará os amores e tampouco… Sentirá tal paixão!

Tu és…
Alma que floresce em dores descompensada,
Que se afogara na chuva para sentir-se aliviada,
Que amara o dia para não chorar por noites desgovernadas;
Que fugira… Fugira… Ah, fugira!
Para bem sei, tornar-se apenas asas!

Eu sou… Aquela que em ti invejou tuas asas,
Que descompensada afogou-se nas lágrimas,
Que floresceu nas lembranças mais amargas,
Que amou a noite… para não te ver voar durante o dia
e esquecer-me destas minhas falsas asas.

***

Dylla Vicente é estudante de Letras – Português/Inglês e Literatura Brasileira, tem 27 anos, é natural de Água Branca – AL e reside em São Paulo. Escreve poemas, contos e prosa poética, tendo alguns poemas vencedores em concursos literários, como, por exemplo, “Saudade” (classificado no Concurso Nacional Novos Poetas, 2016), “Abandono” (classificado no Concurso de Poesia Agora Verão, 2019 pela Editora Trevo), “Violetas são azuis” (classificado no Concurso de Poesia Agora Outono, 2019, também pela editora Trevo), entre outros. Recentemente, publicou a sua primeira coletânea de poemas pela editora Palavra é Arte (2019).

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