Alpendre poesia

Nu cantu du olhu e umas dose de D, de Wesley Rocha

Nu cantu du olhu

de canto de olho
todo mundo olha
de canto no olho do outro
olha pra tudo todo mundo

aquele olhar surdo
silencioso mudo,
aquele olhar
que se olhado
denuncia,
aquele olhar
que se não olhado
se guarda se mostra

guarda-mostra
fecha-abre
u olhu
minutos depois
anos quaisqueres
um século vintedois
depois
milênio
anuncia
o passar

uma hora sempre chega

te receber é uma honra,
malvada
um cochilo que te custa muito
te custa uma vida
inteira
ou meia

te custa
te corta
te gasta,
paga um preço
mas paga um pau

mostra-guarda
abre-fecha
u olho

acorda, Paulo!


umas dose de D

dor que dói dentro
sobre a pele
arrepio pêlo louco
cura raiva arrasta
larga alastra y traga
um nuance nú
pávido doídu du

uma dor que dói dentro doída
como nunca
é sempre

um todo dia mutilar
um vários momentos
um plural, um nuances
umas muitas dores

é uma dor doída doida que dói dentro demais
que chega ser fora
de tão dentro

mearrebento

duvideodó

um dedo vasculhando centro
uma ausência de preposições tamanha
que sinto estéril em mim

um não tocar de conectores
uma perda do silêncio
os artigos e os pronomes flutuando sensíveis

querendo ser elaele
não querendo também,
nada ser

mas querendo estar
assim solto
passivo-agressivo
neutro normal

uma dor profunda funda
quase prazer
chega ser prazer
um gozar dentro
um vibrar elétrico
não mecânico, elétrico

energia natural

uma potência de morte
de tão forte vem
do norte ao sul

tudo partindo
do sul partido
aos pedaços e barrancos

o peso do mundo
sobre nuestros braços
dói doídu doido du.

***

.

.

Wesley Rocha da Vila do Café, Bahia, cresceu em São Paulo. nas horas de dor ou alegria, faz poema ou fotografa ou lê ou escuta música ou tem experimentado plantar, nos últimos meses, e olha, tá dando serto. agora, graduando em Letras (FFLCH), sobrevive entre Itapevi e Sampa. algumas das palavras bagunçadas tá no umacabecadevento.tumblr.com.

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